Durante muitos anos eu lidei com uma depressão, muitos anos, não sei exatamente quando ela começou, vivi alto e baixos, estive literalmente no fundo do poço, e algumas vezes acreditei que estava feliz, plena, mas era como se tivesse algo que me impedisse de ter um contato real com o mundo, um véu que me impedia de viver realmente as coisas, como se eu visse, sentisse, tudo através de um vidro, e um vidro muito embaçado. As emoções não eram leves, nem espontâneas, existia sempre uma cobrança, um peso, eu não me permitia relaxar, nem ser de verdade. Todos os setores da minha vida eram afetados, familiar, no trabalho, relacionamento, amizades… Enfim, eu estava muito doente, e essa doença que se iniciou no campo das emoções, aos poucos foi atingindo minha saúde física, eu engordei, tinha milhares de alergias, dores de cabeça, na coluna, todas psicossomáticas… E o mais complicado, é que eu só vi, e admiti, o quanto eu estava realmente doente, agora que sai da depressão, eu não via, e não percebia o quão serio era o quadro.

 

Acredito que esse quadro se iniciou na minha pré adolescência, que para todos é uma fase bastante complicada, passamos por mudanças hormonais, e não sabemos bem como nos comportar, afinal de contas não somos mais crianças, mas ainda não somos adultos, são muitas cobranças, para pessoas de tão pouca idade, e no meu caso, ainda existia toda a questão do ambiente familiar desestruturado. Eu cresci sem entender muito bem, porque eu não tinha a vida das minhas colegas, porque na minha casa não era daquele jeito? Então eu passei a me revoltar, e essa revolta me fazia mal, eu não sabia lidar com ela, não tinha como exteriorizar, e fui durante anos acumulando frustrações dentro de mim, e virou uma bola de neve, um acumulo de magoas, de coisas mal resolvidas, que na minha fase a adulta, eu não tinha mais como represar, aquilo veio à tona, e me soterrou, me sufocou, e eu me enredei nisso tudo, e sem saber lidar, ao invés de me libertar, eu me agarrei mais ainda nas lembranças, chegando num quadro de depressão profunda, afastando todos de perto de mim, nem eu gostava da minha presença.

 

Depressão não tem um momento especifico que começa, e nem uma causa certa, são uma sucessão de pequenos acontecimentos, detalhes, sentimentos represados, e quando se percebe a vida não tem mais cor, a gente não vive mais, apenas existe, vai levando um dia após o outro, quase que no automático, rezando para a noite chegar, o final de semana, qualquer coisa que nos faça fugir da realidade. Nunca estamos realmente em um lugar, sempre querendo fugir. Crises de ansiedade são recorrentes, exigimos das pessoas, apontamos nos outros defeitos, que muitas vezes são coisas que não aceitamos em nós mesmos. Temos medo da solidão, mas ao mesmo tempo estar rodeado de pessoas nos cansa. Jamais nos sentimos satisfeitos. E tudo, tudo, é motivo para reclamar. Esquecemos, e nem conseguimos ver, o quanto somos privilegiados, e o quanto temos para agradecer. Acabamos por nos reclusar dentro de uma realidade paralela, criada por nós, onde a vida é cinza, e nada é bom, ou dá certo. Acreditamos tanto nas coisas ruins, que de tanto pensar, atraímos, e fazemos acontecer.

 

 

Eu frequentei muitas sessões de terapia, com certeza, elas de alguma forma foram fundamentais, para me encaminhar ao que realmente, foi o meu tratamento, a minha cura, o Blog de Todas, se não tivesse passado pela terapia talvez nunca tivesse criado coragem para pôr para fora tudo o que coloquei, da forma como coloquei, limpa, sem mascaras, medos, ou subentendidos. Cada pessoa tem uma maneira de se libertar da depressão, o que dá certo para alguns nem sempre funciona para outras… Eu usei medicação, fiz terapia, li livros, fiz acupuntura, mas a minha cura veio pela palavra, eu precisava exteriorizar, não podia mais guardar. Mas eu sempre fui assim, falante, sem saber guardar segredo, espontânea, transparente, como que eu ia guardar dentro de mim tudo o que tinha acontecido? E como que não ia me fazer mal represar tantas coisas? Eu precisava exteriorizar, eu precisava contar, e estar restrita em um consultório não foi suficiente, eu queria jogar no ventilador, e quem sabe lutar por uma realidade diferente para outras pessoas.

 

Eu tive uma ajuda que foi fundamental, e sou eternamente grata, enquanto eu estive nos meus piores momentos, quando estive mais insuportável, ele esteve ao meu lado, não abandonou o barco, me puxou do fundo do poço. Meu marido, meu companheiro, parceiro de vida. Ele percebeu o quanto eu precisava de ajuda, e foi atrás dessa ajuda, me encaminhou até ela, mas além disso, ele sempre me apoiou, me incentivou. (‘Quer fazer dança amor? Vai, eu te levo’ … ‘Vai te apresentar no teatro? Estarei lá para te aplaudir!’ ‘Um blog? Lerei teus textos.’ ‘Sair com as amigas? Te diverte!’) Em tudo, ele sempre esteve ao meu lado, me apoiando, me puxando, me levantando, até eu levantar, e conseguir seguir sozinha com minhas próprias pernas, ele esteve ao meu lado, foi meu motorista, meu incentivador. E quando eu finalmente levantei voo, ele estava ali, junto, me aplaudindo, elogiando… Muito, mas muito obrigada, faltam palavras para descrever o que ele fez por mim. Ele foi homem de verdade, moleque teria abandonado o barco na primeira. Amo eternamente, incondicionalmente, a cada segundo da minha vida.

 

 

Para a minha cura, foi preciso alguém que me desse o empurrão, e estivesse ao meu lado para eu não desistir, e para aplaudir a minha vitória. A fé, que me sustentou todo o caminho. A terapia, que me fez criar coragem de exteriorizar o que me atormentava. O Blog de Todas que foi a plataforma, que me permitiu publicar meus textos, mas acima de tudo, o grupo, o amor que envolve, as pessoas que eu conheci, as amizades que eu fiz, e que hoje posso dizer são como uma família… E depois, tudo foi acontecendo, fluindo, o emagrecimento, mais amizades, eventos, festas, dirigir, sim, dirigir, foi a chave de ouro, a independência, a liberdade. Hoje eu vivo, o meu melhor momento, eu venci a depressão, foram muitos fatores, mas o principal, eu quis, eu acreditei, não adianta o mundo nos mostrar, querer, enquanto não estivermos prontos. Precisamos respeitar nossos limites, nosso tempo, mas não podemos nos acomodar, se algo está te fazendo mal, se esta te deixando desconfortável, é sinal que precisa mudar. Ser feliz, estar de bem conosco é uma escolha, e é a mais importante que faremos nessa vida.

 

Liberte-se, cure-se…

 

Bom pessoal, esse foi meu recado de hoje, acreditem, a cura está mais perto do que imagina… Volto na semana que vem vou escrever um pouco sobre o outubro rosa, e a importância de nos cuidarmos… Beijos e até quinta!

 

 

 

2 Comentários
  1. Luana 1 mês atrás

    LINDOOOOOO texto como SEMPRE!!! Parabéns, te amamos lindona és um exemplo, uma guerreira 😍💖😘😘😘

  2. Camila Freitas 4 semanas atrás

    Daniiii, parabéns guria, por tudo!
    Adorei o texto, inspirador.

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