Que bom seria se fossemos eternos, todos nós.

A realidade não é essa e quando nos aproximamos das festividades natalinas, esta época de corre-corre, presentes e definições de onde e com quem confraternizaremos o saudosismo nos atinge, pelo menos aos que já perderam familiares. É nessa hora que lembro o quão cedo precisei lidar com a morte e seus significados.

Perdi meu pai quando tinha 1 ano e 8 meses e lembro das inúmeras vezes em que indaguei minha mãe sobre ele, sobre a morte.
Não era fácil para mim entender por que ele não estava mais conosco, mesmo sem ao menos lembrar, nem com todo o esforço “que eu fazia”, do período em que convivemos. Realmente eu era muito pequena.
Acredito que fiz minha mãe sofrer muito, claro que não era proposital, afinal eu era uma criança quando fazia as perguntas, mas tenho certeza que ela sofria, por mim, por ela e por ele. Eu me lembro de conseguir ver isso nos olhos verdes dela.
O tempo passou. Tive outras diversas perdas, inclusive a da minha mãe e hoje tenho a minha família e o meu filho. E agora? Como explicar a ele sobre a morte. 

Não, ele não perdeu nenhuma pessoa próxima, nem mesmo um cachorrinho (se Deus quiser a Paulinha ainda vai longe), mas mesmo assim sempre pensei que gostaria de conversar com meu filho sobre esse assunto antes mesmo de ele estar passando por um momento de perda.

E assim foi.
Naturalmente conversamos sobre a morte. Intrigado com uma comemoração de aniversario onde o aniversariante não estava presente ele chegou da escola contanto.

Eu já sabia da historia, se tratava de uma homenagem ao fundador do movimento em que a escola pertence que morreu a muitos anos atrás. Senti que aquele era o momento de conversarmos sobre a morte. Contei a ele que na verdade o aniversario se tratava de uma homenagem ao Pe. que já morreu a muitos anos, mas que deixou um legado muito valioso e por isso é lembrado com muito carinho.
Não preciso dizer a vocês que foram semanas recheadas de perguntas:

Mãe: – Por que Deus quer que a gente morra?

– Como a gente sabe quando vai morrer? 

Coisas desse tipo.

Conforme ele apresentava as dúvidas eu explicava da maneira mais simples possível e menos religiosa, pois acredito que a morte nas representações religiosas se torna ainda mais complicada.
Bom, as perguntas cessaram e na semana passada o vô de um colega de aula dele morreu. Achei oportuno contar a ele e esperei a reação. Usei aquela história lúdica, nossa velha conhecida de que o vovô do colega está lá no céu, onde também está a sua vovó. Ele me fez algumas perguntas e logo vieram as associações, eu amo as associações.
Ele me perguntou onde estava a minha vó e o meu pai. Qual era o nome deles. E foi dormir.

E eu pensando: – Amanha tem mais. Certamente tem mais.

No dia seguinte, ele acordou, me deu um beijo e disse: – Já sei, hoje eu tenho que brincar com o Léo e distrair ele para que ele não sinta falta do vô dele 🙂

As crianças… são ótimas.

PS: Sabe o que é mais mágico de tudo isso? É que eu estarei aqui para responder a todas as perguntas dele, com todo o carinho e paciência. E se por acaso eu não estiver, afinal somos todos mortais, é isso o que fica. É o que conseguimos passar a eles, do fundo do nosso coração.

 

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