Um ano atrás, cheia de traumas, e feridas abertas, embarquei nesse projeto, que é o blog de todas, não queria mais sufocar minhas magoas, e tinha a certeza, de que tudo que eu passei, não foi em vão, que eu tinha uma missão, que eu podia ficar sentada, olhando para o alto e clamando a Deus,’ por que comigo?’ Ou eu podia usar tudo o que eu vivenciei, toda a minha luta, minha volta por cima, para ajudar outras mulheres, provar para elas, que uma vida nova é possível, e que merecemos ser tratadas com respeito, amor e dignidade. E agora, um ano depois, aproveitando o agosto lilás, que é o mês de conscientização e prevenção da violência contra mulher, vim falar sobre os meus desafios, meus fantasmas, e o que eu realmente penso sobre o tema. Eu escolhi lutar, ao invés de sofrer! Antes eu sofria agora escrevo, como já falei várias vezes… E jogando para o universo, descarregando na escrita, eu não só encontrei a minha cura, como força, para tentar curar outras mulheres, e mostrar um novo caminho.

Não foi fácil, não é fácil! Me despir, mostrar a alma, e expor intimidades, as vezes dói, e dói de mais… Vergonha, medo… Eu sou de cidade pequena, onde todos se conhecem, e contar o que durante anos foi a minha realidade, deixar a verdade vir à tona, é desconfortável. Quando a verdade é só nossa, já precisamos passar por cima de muitas coisas, é preciso se ter muita certeza para se ter a coragem de abrir o jogo, agora quando envolve a história, a vida, a reputação dos outros, é infinitamente mais complicado! E quando as outras pessoas, são da tua família, e que tu ama? Vocês não fazem ideia de quantos pensamentos me atormentaram… Eu cogitei usar pseudônimo, eu no início escrevi o mesmo texto, várias vezes, sempre saindo pela tangente, omitindo fatos, detalhes, até hoje na verdade, eu não conto tudo, eu fico insegura em postar um texto, eu tenho medo da repercussão, tenho medo do meu telefone tocar, medo dos julgamentos, dos comentários, e já tive medo de um processo!

 

Só que eu lutei contra tudo isso, eu levantei minha cabeça e disse, não, não é assim, não sou eu que tenho que ter vergonha, eu tenho que ter orgulho, meu passado me tornou quem eu sou hoje, e eu vou usar ele para ser cada vez melhor, e não vou me esconder atrás dele, nem fugir dele, vou enfrentar tudo isso, por mais doloroso que seja, para mim, e por mais que eu saiba que pode machucar outras pessoa, e isso me dói também, jamais pensem que não, mas mesmo assim, eu não vou deixar guardado. Eu quero tocar as outras pessoas com a minha história, acredito que Deus não nos escolhe por acaso, e Ele primeiro me deu a lição, agora a missão! E eu aceitei, sabendo que não seria fácil, mas necessário, e que no fim eu iria me sentir melhor… Que eu iria construir algo grande. Comecei por mim, hoje sou outra pessoa, e quero puxar comigo outras tantas mulheres que enfrentam os mesmo desafios que eu enfrentei um dia.

 

 

O que quero mostrar com esse texto, é que não é fácil, dói, da vergonha, dúvidas, muitas dúvidas, mas e porquê? Por que essa cultura de que em briga de marido e mulher não se mete a colher? Por que temos a tendência de nos sentir culpadas? E porque ainda temos vergonha? A violência só vai acabar, quando todos entendermos que NADA justifica uma agressão! Quando derrubarmos a cultura machista, de que a mulher é inferior, obrigada a servir, e aguentar tudo do cônjuge. Mas principalmente, quando tivermos coragem de falar, de encarar… Não adianta eu vir aqui, escrever um texto, e não aplicar dentro da minha casa, existem post lindos, imagens marcantes, discursos perfeitos, mas e na prática? Continuamos fazendo piada dando a entender que o amigo bateu na namorada… Mesmo que ele não tenha batido, pode ser brincadeira, parecer uma inocente brincadeira, mas são nessas brincadeiras que mora o retrocesso, é assunto sério sim! Precisamos encorajar a mulher a denunciar, e jamais tentar justificar uma agressão… Amparar, apoiar, respeitar.

 

Que o agosto lilás nos sirva de alerta, que essa campanha, mexa com a nossa cultura, que possamos encarar o assunto de frente, que não se converse cochichando, que possamos falar abertamente, que as mulheres sejam encorajadas a mudar suas vidas, enfrentar seus medos, a vergonha… Ainda estamos engatinhando, nosso país é o quinto no ranking da violência contra mulher, enquanto escrevi esse texto, muitas mulheres foram agredidas, de incontáveis formas diferentes, e dessas, pouquíssimas vão fazer algo a respeito, porque nos acostumamos a não fazer nada. Muitas não fazem denuncia, muitas retiram suas queixas, e inúmeras desistem depois de um péssimo atendimento nas delegacias… Precisamos exigir mais preparo de quem lida com esses casos. Muito se fala em combate, pouco se fala em prevenção, e como se previne? Educando… Enfim, o assunto é grande, interminável, mas criar um mês, é bom, é valido, eu só me preocupo com o que vai acontecer de setembro até julho… Que tenhamos um ano, uma vida, e que algum dia, esse assunto simplesmente não exista mais. Que sejamos tratadas como iguais, que conquistemos um mundo onde reine o respeito, independentemente de que quer que seja, sexo, cor, idade, classe…

 

Não tenha vergonha, não tenha medo… Fale! Liberte-se…

 

Bom pessoal, fico por aqui, não pensem que é fácil, mas eu acho necessário, e por isso resolvi quebrar o gelo, quebrem o de vocês… Alguém pode estar precisando ler o que tem para contar… Volto na próxima semana, vou escrever sobre a importância de nos rodearmos de pessoas do bem! Beijos e até quinta…

 

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