As mães são eternas. – BLOG DE TODAS

Há muito tempo já não sou mais filha, não sinto mais o calor do abraço de minha mãe e nem conto com o apoio dela nas horas mais difíceis. Não tenho mais a cama dela como refúgio e nem posso ligar para dizer que já cheguei ao meu destino ou falar sobre o quanto está prazerosa a viagem que planejamos nos mínimos detalhes juntas. Não tenho como dividir com ela as angústias da vida e nem pedir seus conselhos.

Estou por mim nesta vida, e já faz muito tempo, exatos 10 anos. Neste período muitas coisas aconteceram, entre elas a maternidade. Quando me tornei mãe senti todas as transformações que este status traz, passei a entender melhor várias frases que minha mãe usava, atitudes tomadas, certas ou erradas. Aprendi principalmente que as mães cansam, respondem coisas sem nexo apenas por cansaço. Que podem estar erradas sim. Que nem sempre cuidar é fácil e que também precisam de cuidados.

A maternidade me transformou, tenho certeza disso, ao ponto de muitas vezes me perguntar onde estou, onde encontro aquela menina dos olhos faceiros que via no espelho. Tenho preocupações que não tinha antes, alegrias que jamais imaginei sentir, ânsias pelo futuro, enfim.

Corto o cabelo para tornar a minha vida mais prática e o banho mais rápido, deixo de escutar determinadas músicas para apresentar ao meu filho o que julgo ser interessante para ele, gosto em formação. Paro de falar palavrões, essa parte é a mais difícil, mas me esforço. Ajusto minha agenda para conseguir dar conta da sua necessidade de sono depois de um retorno de viagem, da aula de natação, da saída da escola, das reuniões, das apresentações. Passo a cozinhar, mal ou bem, mas com carinho. São tantas mudanças e adaptações em minha vida, e quando tenho tempo de olhar para elas, dou ainda mais valor ao amor e a atenção que a minha mãe dedicou a mim.

Me transformo a cada dia, me reinvento para seguir em frente em busca de mim, carregando as minhas realizações como mãe, o meu filho e todo amor que a maternidade pode proporcionar. Levo também os ensinamentos da minha mãe e além disso, levo comigo a compreensão de que não sou perfeita e que minha mãe também não foi. Como ela diria, “Graças a Deus. Pessoas perfeitas são enfadonhas”. Sigo em frente, me perdoando a cada deslize, a cada erro julgado de forma cruel por mim mesma e carrego a culpa, palavra que acompanha as mães desde a concepção, mas me permito o perdão.

Hoje, quando peço por ela, às vezes tenho a graça de a encontrar em meus sonhos e só assim consigo matar um pouco a saudade.

Que este voo às cegas, sem certeza nenhuma tenha um resultado positivo e que ao final eu me torne eterna em meu amor e ensinamentos, assim como minha mãe se tornou para mim.

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