Eu não sou um pedaço de carne! É assim que me sinto muitos vezes na rua…

Quem nunca saiu na rua e se sentiu agredida, sem ao menos ter sido tocada? Com medo? Sem saber como reagir, com medo da forma como vai ser interpretada?

Aquele olhar, aquela piadinha, aquele ‘elogio’, o cutucar um amigo, o assobio…

Pois é, são tantas as formas, é tanta ignorância, é uma cultura toda muito errada. Muitas vezes acreditam que estão agradando, elogiando. Só que muito diferente de me sentir lisonjeada, me sinto agredida, invadida e ofendida.

O assédio é sim uma violência, não é pelo fato de não ter contato que deixa de ser. Isso quando não tem contato, muitas vezes também inclui, um passar de mãos, um apertão… Me sinto mal de ter de pensar na roupa que vou sair, para não ‘provocar’ esse tipo de situação. Tenho medo de andar em certos locais, certos horários.

A mulher ainda é muito responsabilizada, por essas situações, comentários do tipo: ‘Mas também, olha a roupa…’, ‘Isso é hora de andar na rua’. ‘Pediu né?!’. Enquanto a sociedade ensinar suas filhas a evitarem um assedio, e não ensinarem seus filhos a não assediarem, não vejo solução para este problema. Sim, um problema, o que pode começar com apenas um assédio, pode vir a ser pior. No Brasil a cada onze minutos uma mulher é estuprada! Só que esse dado, vem baseado nas denúncias, e acredita-se que mais da metade, nunca venha a ser denunciado.

Por muitas vezes saio na rua me cuidando. Recentemente passei por uma situação muito desconfortável. Estava indo para a academia, e passei pelo carro de entregas de uma empresa, que eu conheço o dono, os funcionários me falaram coisas que me deixaram com medo, nojo, e raiva. Baixei minha cabeça, e segui meu caminho, não é que quando paro na esquina para atravessar, eles tinham me alcançado, mais um monte de ‘elogios’, buzinadas, com direito a cabeça para fora da janela. Na hora liguei para meu marido, e pedi que relatasse o ocorrido para o amigo dele, dono da empresa, para que ele orientasse seus funcionários, de que isso é errado, e acabando expondo a empresa, já que ela que está em evidencia, e não o nome de quem estava cometendo este abuso. Ele ficou extremamente chateado, pediu muitas desculpas e prometeu tomar uma providência. Esse é um fato, de tantos que acontecem diariamente. A minha roupa, um shorts, desses de corrida, e uma regata, justifica? Nunca! Não podemos responsabilizar a vítima.

Eu só gostaria de entender o que passa na cabeça de quem comete esse tipo de assedio, será que ele acredita que a mulher vai se sentir tão lisonjeada, a ponto de, ali, no meio da rua, se envolver com ele? Qual a intenção? O objetivo? Eu não conheço nenhuma mulher que goste, desse tipo de assedio, que se tenha tido algum relacionamento com alguém que a tenha abordado desta forma. Ou também, podemos dizer, que quem se dá ao respeito não gosta.

Admirar, é uma coisa, porque não? Eu, mulher, quando vejo alguém que acho bonito, ou bonita, eu reparo, é logico, normal, pertinente a todo ser humano, sem hipocrisia né gente?! Não existe nada de errado em admirar o que é belo. Mas respeitando o espaço desta pessoa, sem agredir, ou amedrontar. Não preciso ficar olhando, como quem cobiça, no meu caso, não um pedaço de carne, que não gosto, mas um pudim, um pavê de chocolate.

Acredito que a solução está na educação, em casa! Os pais ensinarem seus filhos a respeitarem as meninas, desde cedo, começando pelas pessoas da família, as colegas de escola, e as professoras. Não acredito que qualquer outra solução seja tão eficaz, e também acho que isso vai ter de ser gradual, dificilmente aquele que já tem essa pratica, vai mudar. A cultura machista ainda está muito enraizada, mas já evoluímos muitos, e acredito que a tendência é só melhorar, precisamos acreditar que vamos vencer. As crianças seguem exemplos, sejamos esse exemplo. É muito importante pensar, será que eu gostaria de ser tratado assim? Que alguém da minha família, fosse tratada assim? Se colocar no lugar do outro. E respeito, muito respeito…

Bom mulherada, acredito que também tenham passado por isso, vamos nos unir para acabar com esse tipo de atitude, e construir um mundo seguro e agradável para todos.

Beijos, e até segunda, vou falar sobre tatuagens…

1 Comentário
  1. Verdade! A mulher não é objeto e nem existe para ser instrumento de satisfação masculina!

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