Desde cedo tive o contato muito próximo com a violência doméstica, isso fez com que eu guardasse muitas mágoas e traumas. Tudo isso veio à tona na fase adulta, talvez porque antes eu não tivesse condições de avaliar bem o que realmente acontecia, defesa, e imaturidade. E quando eu percebi, me perdi, surtei! Fiz terapia, mas parecia que faltava algo, não conseguia tirar de dentro de mim a angustia, não me libertava. No ano de 2015 eu fiz o Enem, e o tema  da redação era a violência contra a mulher. Fiz minha redação em lágrimas, e aquelas linhas foram muito pouco para eu expressar o que carregava dentro do meu peito, e naquele momento vi que escrevendo seria uma forma de me libertar, dividir experiência, e ajudar muitas pessoas. Guardei este sonho, tentei escrever um livro, e agora estou vendo a oportunidade de realizar.

Existem muitas mulheres vivendo situações de violência diariamente, em todos os lugares, e classes sociais. Lembrando, que a violência doméstica não se restringe apenas a agressão física. Agressões verbais, constrangimentos, desvalorização, menosprezo, privação do convivo com outras pessoas, entre outras, são também formas de violência. E muitas nem percebem o quão abusivo é o modo como são tratadas. Talvez pelo meio onde foram criadas, ou por estarem muito machucadas, muito abaladas, por acreditarem que merecem, que tem culpa. Algumas tem vergonha, medo do agressor ou do julgamento das pessoas, ou por falta de apoio ou compreensão. E a maioria não sabe como lidar, e mudar a sua situação, por mais que estejam cansadas, elas se calam, e se anulam.

Resolver os problemas dos outros é fácil, quem vê de fora, talvez tenha uma melhor perspectiva, mas também não vê tudo, não sente. Essas mulheres precisam de apoio, não de julgamentos, alguém que lhe diga, que ela não está sozinha, que tem com quem contar. Não de pessoas dizendo o que ela deve fazer, ou acusando, pressionando, jogando a culpa das agressões sobre elas. A sociedade ainda tende a culpar as vítimas, não apenas sobre esse tema. Foi assaltada? Facilitou. Estuprada? Pediu… Precisamos quebrar esses tabus, e procurar entender o contexto, saber o porquê desta mulheres estares suportando isto, as dificuldades de modificarem a situação, o que as impede, e encontrarmos juntas uma maneira para que elas superem, libertem-se, e sejam donas das suas vidas, e não voltem a permitir relacionamentos deste tipo.

Temos ainda um longo caminho para trilhar, muito para nos modificar, a todos nós! Nossa sociedade já evolui muito, hoje realizamos atividades que a muito pouco tempo era inimaginável, questionamos e contrariamos coisas que as mulheres tinham apenas que aceitar, ocupamos cargos que a pouco tempo atrás eram ocupados apenas por homens, já derrubamos muitos rótulos. E acredito que vamos vencer. Os Homens já nos veem de forma diferente, já nos respeitam, e têm como parceiras, e muitos lutam ao nosso lado. Já estamos assistindo as crianças sendo criadas diferente, nossos filhos e filhas, já estão apreendendo a respeitar as diferenças e, entender que temos direitos e deveres iguais, e é ai que vamos conseguir construir uma sociedade para todos, onde as mulheres não sejam tratadas como inferiores.

Baseada nas minhas experiências, em pesquisas, conversas com outras vítimas da violência, e contando com a colaboração, que tenho certeza virá das leitoras, estou embarcando nesse projeto, com a esperança de poder auxiliar, e ser auxiliada, e com minha modesta colaboração, e com a colaboração de todos, elucidar e libertar mulheres da situação de submissão e violência.

Meus textos são a forma como encontrei de expor minhas ideias, são baseados nas minhas lembranças, opiniões, e a minha forma de ver o mundo. O que não significa que seja único e imutável, acredito que a troca seja muito importante, e espero construir esse blog junto com as leitoras.

Beijos, até a próxima!

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