Crianças invisíveis

Elas estão por aí, andam em nosso meio, convivem conosco, mas são invisíveis…

Há tempos me dei conta disso, professora de escola pública, professora de crianças invisíveis.

Elas não aparecem nos livros didáticos, não são faladas nas formações… mas elas existem.

Trabalhar com elas em sala de aula sempre exigiu um olhar atento e sensível. Perceber suas especificidades e fragilidades. Fazê-las se sentirem  pertencentes a um grupo: um desafio.

Quem as vê? – Professoras com seu super poder no olhar!

Mas as crianças invisíveis não está sempre na escola: Perambulam em meio a carros de uma sinaleira fechada, entram em containers a procura de recicláveis e alimentos, sentam tristes na calçada. Uma legião de crianças invisíveis que ninguém vê.

No início da Pandemia acreditei que elas se tornariam Visíveis! Agora sim, vão olhar para elas, vão enxergá-las!

Engano meu. Assim como são vistas apenas no Natal, foram vistas por alguns dias e logo tornaram-se invisíveis novamente.

Alguns até fingem enxergá-las, com pretextos maldosos e segundas intenções, tentam se beneficiar em cima de algum favor prestado. Dizem que se importam mas nada fazem e ainda muitas vezes atrapalham quem quer realmente fazer.

Crianças invisíveis:

Certificados e  especializações não te permitem vê-la.

É preciso ter SUPER PODER no olhar… é preciso ter o CORAÇÃO nos olhos, e modéstia a parte, este Super Poder foi concedido a algumas Professoras! (E outras poucas pessoas).

Esse olhar que não julga ou exclui… Mas acolhe com amorosidade.

Sensibilidade de quem conhece as crianças invisíveis e procura práticas que possam ter significado e sentido à elas.

Práticas que aproximem elas as demais e não segreguem cada vez mais.

Quem mal tem comida em sua mesa tão pouco terá acesso a plataformas digitais.

E em mim, arde questionamentos que não sei responder:

Como torná-las visíveis?

Como permitir a elas a oportunidade de serem reconhecidas como cidadãs de direitos em outros espaços? Como impedir que sejam apenas números em estatísticas da página policial?

Como romper o ciclo de invisibilidade para que as que sobrevivam não se tornem adultos invisíveis gerando filhos invisíveis?

As crianças invisíveis não precisam de esmola. Elas precisam ser reconhecidas em sua humanidade e cidadania. Precisam ser atendidas em suas necessidades básicas.

Precisam ser amadas.

Precisam ser ouvidas.

Precisam ser vistas.

Precisam se tornar VISÍVEIS.

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