Então tá, se é Dia Internacional da Mulher, existem duas coisas que necessitam ser GRITADAS, isso mesmo, quando você ler isso, é importante que a voz da sua mente se exale até gritar, deixando que a compreensão chegue até a última célula do teu corpo. A primeira é:

A sexualidade faz parte do corpo, é inerente ao ser humano, mas para variar, PARA NÓS, mulheres, qualquer manifestação de sexualidade é interpretada como SEXUAL(desde muito cedo, inclusive), embora as palavras: sexualidade e sexual – tenham significados distintos. Não barre a sexualidade da tua filha, não aceite que uma senhora de 60 anos nunca tenha tido um orgasmo sequer, porque na sua época era proibido ter conhecimento sobre o seu próprio corpo, não trate a masturbação feminina como TABU, porque ela é saudável. Está na hora de NÓS, mulheres, aprendermos a tratar de sexo e sexualidade com, a naturalidade que este assunto exige, pois faz parte do que somos.

A mídia, deturpa a imagem da mulher a todo momento. Em músicas, filmes, novelas, principalmente em propagandas de alimentos, bebidas e acessórios que consumimos. NÃO SOMOS OBJETOS, não somos fonte inesgotável de prazer – para o próximo – diga-se de passagem. Não somos peitos e bundas, ou pernas bem torneadas. E SIM, TEMOS PRAZER, temos direito de ter prazer, mas o nosso prazer está diretamente ligado ao consensual, CERTO? e isso, não é democrático, o corpo é nosso, e nós usamos ele como queremos. NÓS. CERTO? beleza. Essa era a primeira coisa que eu necessitava vomitar. A segunda coisa é:

Há uma enorme necessidade de massificação desde que nascemos, nos tratando como seres não pensantes, e pode parecer repetitivo o que eu vou dizer, mas não é. E é óbvio, mas tentarei descrever ao máximo os detalhes para que a mente de quem está lendo faça um retrato falado, formando um desenho na cabeça de vocês, aí fica fácil a compreensão, embora seja triste ter que GRITAR o óbvio, mas OK.

Na infância feminina, nos são propiciadas inúmeras ferramentas passíveis de moldar nosso comportamento, e crescemos manifestando gratidão para tudo isso, infelizmente é cultural.  Os brinquedos que nos são oferecidos contemplam uma variedade incrível sobre como devemos agir, sobre como devemos nos comportar, falar, nos vestir, andar, já viram que existe sapatinho de salto para meninas?

Infelizmente, a conversa sobre como amadurecemos precocemente é tardia. E só amadurecemos desta forma, porque é exigido pelo meio em que fazemos parte, deixando grandes lacunas, que vão gritar futuramente, e farão parte do estigma de “louca” que carregaremos por muito tempo, afinal, qual mulher nunca foi chamada assim? Ninguém nos conta como o nosso corpo vai crescer, e nós vamos continuar querendo brincar ao invés de beijar. Sobre a menstruação que vem a cada geração vez mais cedo, e que nos torna aptas de gerar uma criança, e que isso significa muito.

A conversa sobre tudo isso geralmente vem depois do mundo dizer que somos mulheres, e exigir esta postura de nós, quando ainda somos só meninas, molecas, e queremos brincar, pois não vemos a maldade ao nosso redor. Entretanto, a pureza nos é arrancada em um piscar de olhos. Uma menina antecede a mulher que somos hoje, entendem? UMA MENINA, UMA CRIANÇA. Eu vejo postagens e textos condenando pedófilos o tempo todo, mas alguém aqui já percebeu o quão pedófila é a nossa cultura?  É isso aí, a “novinha”, pré-adolescente – ainda uma menina- não precisa ser “novinha”. Não é feio ser menina e ter a unha suja, jogar futebol, sujar a roupa brincando, não é feio a menina ser o que ela quiser, não é feio uma menina estar entrando na puberdade e ainda brincar (do que ela quiser). Sobretudo, é de uma violência extrema e absurda a sexualização da menina, a precocidade exigida, a infância roubada. Ah propósito, a falta de criatividade cultural sobre o que uma menina deve ser é questionável.

Uma menina não precisa de um acervo de bonecas para brincar, e eu escuto com frequência: MAS A MINHA FILHA ADORA! Foi ela que escolheu a primeira boneca? Ou ela queria uma bola, um urso, um carrinho, um livro? O que está por trás da boneca? Por trás da maquiagem, mesmo aquelas de brinquedo (sem o devido diálogo, isso, aquele mesmo, para que serve a maquiagem), e por trás do comportamento que devemos ter?

Não vou fazer um resgate sobre a historicidade dos artefatos lúdicos denominados brinquedos e para que eles servem, também não vou condenar a maternidade de ninguém. Como disse outrora, fomos meninas um dia, e está em nós o que apreendemos, e aprendemos a ser, mas é importante que questionemos e relacionemos também, o papel da mulher há pouco menos de um século atrás, com o atual papel da mulher na sociedade, e como nós, mães, meninas por dentro, interagimos com isso.

Encerro este meu texto afirmando que antes de ser mãe, esposa, mulher, eu sou uma menina, e hoje eu não aceito presente, nem parabéns, mas aceito respeito pelo que eu brinco que eu sou até descobrir e assumir quem de fato sou realmente.

Beijinhos para vocês, e força para todas as guerreiras que somos.

 

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