Do outro lado da ponte

 

Era uma vez uma menina que cresceu em um lugarejo mais afastado da grande cidade. Ela cresceu achando que conhecia muito bem o lugar onde morava. Sentia-se apropriada da sua cultura e conhecedora da sua realidade. Lá havia uma ponte. Certa vez derrubaram a ponte e ela lutou para que a reconstruíssem. A ponte foi reconstruída. Ela atravessou-a apenas em sua margem, mas nunca explorou o que existia do outro lado.

Certa vez, ela inflou-se de coragem e foi. Cortou amarras e decidiu explorar o que havia do outro lado da ponte.

Do outro lado descobriu uma realidade diferente da sua. E o que achava que conhecia descobriu que na verdade não conhecia. Descobriu que suas certezas não passavam de ponto de vista.

E descobrindo o outro lado da ponte descobriu mais de si mesma!

 

Essa pequena história vem na tentativa de trazer poeticamente minha experiência de trabalho no ano de 2018. Este ano fui trabalhar em uma  nova escola, entretanto na mesma “vila” que nasci, estudei e continuo morando. Pensei ser conhecedora da minha realidade, porém eu estava enganada. Vi muitas situações que abalaram minhas certezas, revi conceitos e convicções de outrora. Situações que eu via na televisão e pensava ser tão longe, vi tão perto. Vidas sofridas, famílias que lutam. Histórias de vidas que chocam.

 

Orei (oro) para não perder a sensibilidade no olhar. Para não endurecer o coração. Para não perder as forças.

Quero fazer a diferença.

Não posso mudar o mundo, eu sei. Mas posso plantar sementes.

Não posso fazer grandes ações, mas posso fazer pequenas ações de forma grande.

Posso amar. Amar muito. Me empenhar para trazer mais luz e alegria para a vida das crianças.

 

E aí, remeto-me a uma frase do meu autor preferido, Rubem Alves:

 

Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro…

 

E quando a gente cansar, que possamos lembrar, e não perder a oportunidade, que nos foi dada:

 

Podemos ser luz.

Podemos ser alegria.

Podemos ser amor.

 

Recém começamos o ano de 2019.

Vamos nos propor a isso durante esse ano?

Posso contar com você?!

1 Comentário
  1. Camila Freitas 7 meses atrás

    Ahhhh Ana!
    Como eu amo os teus textos, amo mesmo!
    Tu é uma mulher e professora incrível 🙂

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