Ah os 30!

 

Pois é eles chegaram! No início deu medo, uns seis meses antes, eu já estava em pânico… Mas daí os dias, os meses foram passando, foi surgindo uma paz, uma plenitude. Fui aceitando, e gostando, e por último amando! Eles chegaram para apaziguar meus fantasmas, acalmar minhas inquietações, foram colocando tudo no seu lugar, me preenchendo, e me levaram a fazer as pazes comigo mesma, me aceitar, me conhecer, descobrir coisas ao meu respeito que eu nem sabia. Eu passei a me amar! Mas assim, de verdade! Me olhar no espelho e falar, tu é um mulherão da porra… Mesmo com essa celulite, essa cara lavada, tu é linda! Fiquei até exibida! Minha autoestima nunca esteve tão em alta, e as pessoas falam, que estou bonita e tal, e hoje eu enxergo, que por fora, nós somos apenas o reflexo do que trazemos por dentro, podemos vestir a melhor roupa, fazer aquela make, se não estivermos bem resolvidas conosco, nada disso adianta.

 

Uns anos atrás, uma amiga muito querida minha, a Taiane Belmonte, me falou, que os trinta são a melhor fase, ‘nos trinta, tu te descobre!’ Eu na época, mal resolvida comigo que estava, e ainda naquela síndrome de juventude dos vinte e poucos, torci o nariz, pensei, só pode estar louca! Como assim? Pensava no número, e convenhamos que ele assim, pensado em bloco mesmo, de forma maciça, ele assusta muito, é um marco! Na minha interpretação, deixamos a adolescência definitivamente para trás, apesar de a minha mãe ter me dito que precisava ter me dado conta disso a mais tempo, mas tudo bem… Quando se é mais nova, sempre tendemos a idealizar o que será quando chegarmos a determinada idade, só eu sei o quanto esperei os quinze, e depois os dezoito, imaginava que iriam mudar muitas coisas, e na verdade eu só comemorava aniversário mesmo. Com os trinta não foi diferente, eu pensava que: Ah, quando eu chegar nos trinta… Nossa quantas bobagens se passaram pela minha cabeça! E nada das coisas que um dia eu esperei, desejei até, mudaram, mas em compensação, outras giraram 360°.

 

Eu achava que aos trinta eu seria tão madura, mas tão madura, que não ia mais precisar pedir a opinião da minha mãe, coitada de mim! Eu não só peço opinião, como também peço colo, socorro, comida… Ligo para perguntar as coisas mais idiotas as vezes, simplesmente por carência de atenção de mãe! Achava que não iria mais me importar com coisas pequenas, que seria tão bem resolvida, que nada iria me abalar, seria superior… Agora seria uma mulher adulta que não tem nem tempo para essas coisas… Não iria mais ter rompantes de raiva, que mais são birra, igual a criança pequena que não ganhou o doce! Gente não funciona assim, e consigo ver que nunca vai funcionar, mas eu tinha essa esperança. Em algum momento, alguém vai te magoar, e vai doer, ou as coisas não vão funcionar como esperávamos, e é normal as vezes perder as estribeiras, e não tem nada a ver com a idade, e sim o tamanho da expectativa que criamos. E talvez, a gente chegue nos trinta, não tão bem resolvidas como gostaríamos, talvez tu ainda não tenha te formado, ou arrumado um emprego, casado, tido filhos, saído da casa dos pais. Mas apesar de os trinta ser um marco, ele marca para cada pessoa um momento diferente, um objetivo, uma realização, não somos iguais, não precisamos ter vidas iguais, e não é um fim, um ponto final, como se até os trinta, se construísse e determinasse tudo, e a partir daí se vive aquilo que já foi feito e deu… Pode parecer loucura, mas eu pensava assim, acreditava que tinha que estar com tudo pronto, certinho, que depois dessa data não se poderia mudar mais nada.

 

Cheguei aos trinta bem resolvida, comigo, com a vida que tenho, com o meu casamento. Entendi que nem tudo depende de mim, mas que depende de mim a forma de encarar tudo… Que posso escolher aquilo que quero ser, que as pessoas fazem comigo aquilo que eu permito, e que está em minha mãos determinar os limites de onde quero ou posso ir, ou o que não quero. Aprendi a me aceitar, a enxergar minha virtudes, lidar com meus defeitos, e mudar aquilo que não me acrescenta, que não está fazendo de mim a pessoa que eu gostaria de ser. Me pus em primeiro lugar, estipulei as coisas que gosto, o tipo de pessoas que me fazem bem, que me acrescentam, não me forço a nada, nem ninguém. Entendi que tenho o direito de não gostar de alguém, mas que isso não me dá o direto de ser mal educada ou grosseira. Vi que meu sexto sentido as vezes falha, e que tenho que fazer pelos outros tudo o que gostaria que fizessem por mim, que não sou melhor do que ninguém, não tenho que julgar, afinal de contas quem sou eu? Que não conheço a verdade de todo mundo… E principalmente a me pôr no lugar do outro! Passei a agradecer mais, as mínimas coisas, que podem parecer pouco, mas são verdadeiros privilégios comparado a outras pessoas. Me policio para não reclamar, não ser ingrata, e vi o quanto isso é prejudicial, o quanto atraímos coisas ruins quando reclamamos.

 

Percebi, o quão errada eu estava, sobre muitas coisas, a pessoa horrível que eu era, e quis mudar, desejei ser alguém melhor, por mim, para mim, e como reflexo para os que me rodeiam. Busquei ajuda, mudei meu comportamento, minha orações. Não encaro mais nada como definitivo, a vida é mutável e também precisamos ser, procuro ser maleável, mas também aprendi o momento de ser firme. Quando olho para trás vejo o quanto mudei, melhorei, sei que fiz coisas que não são motivo de orgulho, mas graças a Deus aprendi com elas, e não vou repetir. Resolvi fazer diferente, levar uma vida não tão a sério, me permitir relaxar, que posso ser a cada dia uma pessoa melhor, só depende de mim. Ainda tenho meus dias cinzas, aqueles que parece que tudo dá errado, que o mundo está contra nós, ainda tenho meus momentos de fúria, vontade de mandar tudo para o espaço, mas eu fiz trinta, não morri, nem me mudei para um monastério né? Procuro controlar, esses momentos são cada vez mais raros e rápidos, quem sabe venham a acabar…  Vi que os trinta não tem nada de ponto final, ainda tenho muito para construir, melhorar, mudar… Na verdade esbarrei em uma interrogação, e agora? Ah agora a gente vai indo, vai vivendo, vai caindo, levantando, aprendendo… Crescendo!

 

Bom mulherada… Espera ai, espera ai, como me chamaram a atenção semana passada, que mesmo o blog sendo voltado ao público feminino, tem muitos homens lendo, e já virou o blog de todas e de todos, vou retificar… Bom pessoal, esse foi meu recado de hoje, sobre essa minha nova fase os 30! Na semana que vem quero abordar sobre expectativas, e frustrações… Beijos e até quinta!

 

3 Comentários
  1. Camila Freitas 4 semanas atrás

    Que texto bom de ler Dani!
    Simplesmente demais, parabéns!

  2. Jessica Cunha 4 semanas atrás

    Minha sogra sempre comenta que adorava quando tinha 33. hahaha Acredito que viemos ao mundo para evoluir, aprender e tudo o que vivemos e passamos faz parte da nossa caminhada. Acredito que a grande evolução está em reconhecer erros e procurar fazer muito melhor. Parabéns pelos 30 anos e obrigada pelo texto que faz com que possamos refletir sobre a nossa vida,independente da idade. bjs

  3. Clarissa Soares 4 semanas atrás

    Parabéns Dani, é claro ver o quanto os 30 anos te fizeram muito bem, o quanto vc está irradiando felicidade e autoestima! 😍

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