Pensar sobre a maternidade e os encargos que ela traz é assunto recorrente por aqui.

Engraçado como desde novinhas aprendemos a “maternar”. Ganhamos bonecas, ninamos, trocamos fraldas, alimentamos e cuidamos de nossas “filhas”. A maternidade nos é passada de forma linda, colorida e até romântica.  Parece tão natural. E não só a maternidade; durante a infância continuamos ganhando panelinhas, fogõezinhos, tábua e ferro de passar roupinhas, comidinhas e uma infinidade de brinquedos que despertam na menina o desejo de crescer e reproduzir tudo isso, tão lindo, na vida real.

Mas, para aquelas que já passaram pela difícil experiência do primeiro filho, sabem que não é bem assim. Sabem que quando nasce um bebê, nasce junto inúmeros questionamentos e dilemas. Cuidar da casa e de um filho já não parece tão simples e bonito como nas brincadeiras de criança.

Somos pegas, logo de início, cansadas, desamparadas, com dúvidas, muitas dúvidas. Sobre amamentação, sobre sono, banho, cólicas, choros indecifráveis, enfim, tantas questões que nos deixam a ponto de explodir. A lista é enorme. Porém, em contrapartida vem o amor, um amor tão grande que não cabe no peito, chega a doer. Como podemos amar tanto um serzinho tão pequeno? Como podemos amar alguém que mal conhecemos?

E é aí, no nascimento do bebê, que nasce uma mãe. Uma mãe com tudo o que a palavra mãe tem direito: mãe que ama, cuida, protege, mãe que cansa, chora, não dorme, mãe com dúvidas, inseguranças, medos e culpas, mãe com alegrias e encantamentos. Tornamo-nos diferentes, como até então nunca tinha sido, com um amor que nunca antes tinha sido experimentado.

E então, quando as coisas começam a tomar forma, quando mãe e bebê estão se entendendo melhor nasce o que para mim foi, e ainda é, o maior dos conflitos. Passamos a vida estudando, gritando por independência, acreditando em um futuro profissional promissor, afinal as mulher hoje têm espaço no mercado de trabalho; ao mesmo tempo, fomos ensinadas que a maior realização de uma mulher é se tornar mãe. Ter uma família, criar filhos, formar um lar. O que fazer?

Muitas mulheres, hoje, têm retomado a busca pela vivência integral da maternidade. E nesse desejo, acabam largando sua vida profissional para dedicar-se exclusivamente a maternidade. Escolhas, difíceis, que fazem parte da vida de mãe.

Ser mãe é aceitar todos os encargos que a maternidade traz. E ela é feita de escolhas. Não necessariamente certas ou erradas, não é disso que falo, mas sim daquilo que para mim, mesmo sendo loucura aos olhos dos outros, é o melhor. Não sem culpa, não sem cansaço, não sem dor, mas por hora, o melhor.

Uma vez ouvi uma frase que levo pra vida: a carreira a gente retoma, a infância não. Decidi relevar as críticas da sociedade e dedicar-me, com muito cansaço porém muito amor, integralmente às minhas filhas, por hora. Se penso em voltar? Sim, um dia quem sabe. Sigo estudando, sigo planejando.

Ser mãe foi, sim, a melhor das escolhas. Adequar meus interesses à minha família, a segunda delas.            

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