Você consegue imaginar a alegria de uma mulher quando descobre a gravidez? E se, em meio a esta linda notícia, for preciso lidar com o diagnóstico de um câncer? Pois foi assim, neste cenário que eu nasci.

Eu ainda era uma sementinha na barriga da minha mãe quando minha avó materna recebeu o diagnóstico da doença. Foi no quarto do hospital, logo após a cirurgia para a retirada da mama esquerda, que minha mãe deu a notícia sobre a minha chegada. Uma grande mistura de emoções e sentimentos, um verdadeiro renascimento, pois fui a primeira neta.

Desde que consigo lembrar, convivo com a dura realidade do câncer, lidava naturalmente com as marcas deixadas pela doença no corpo de minha avó, devido a cirurgia. A cicatriz no lado esquerdo do peito e as limitações dos movimentos do braço. Além disso, uma prótese nos acompanhava, a qual chamávamos carinhosamente de “tetinha”. Um saquinho de pano em forma de seio preenchido com uma espécie de silicone do qual cuidávamos com muito carinho, pois era com a “tetinha” que ela se sentia completa. Adaptações eram feitas em maiôs e soutiens, para que a “tetinha” se encaixasse perfeitamente. Eram outros tempos, mil novecentos e antigamente e falar em cirurgia plástica era coisa de outro mundo, pelo menos na realidade da minha família.

Passados 16 anos, minha mãe comentou comigo sobre uma sensação estranha que sentia no seio direito, como se tivesse uma etiqueta pinicando dentro do soutien. Considerando o histórico familiar, partimos logo para o autoexame, médico, mamografia e nada. Nenhum destes exames conseguiu diagnosticar o que era (o tal ainda não era palpável). Era hora de fazer mais exames, não descuidar, buscar respostas, mas não foi o que aconteceu. A vida seguiu, o corre-corre a engoliu e ela esqueceu de si, a pessoa mais importante da vida dela, e da minha.

Em pouco tempo a sensação voltou e lá fomos nós ao médico outra vez. Sim era câncer, sim em estágio avançado e sim, foi a pior luta das nossas vidas, da dela e da minha, foi terrível. É terrível e é pura saudade.

Foram 10 anos de luta, de tratamentos dolorosos, inovadores, caros, sofridos. Nesta situação a família adoece junto, sofre junto. Saber que iria perder a minha mãe para aquela doença não foi nada fácil, até hoje não é. Dez anos de quimioterapias, remédios, exames, debilitação, dependência e o fim.

E depois de tudo, você pode imaginar o quanto o fantasma do câncer de mama assombrou a minha vida? Com um histórico desses, minhas consultas eram mais do que periódicas e eu desenvolvi um verdadeiro pavor dessa doença. Pesquisava na internet sobre as novidades em tratamentos e diagnósticos e através disso descobri o exame de sequenciamento genético. Uma análise que poderia detectar se eu havia herdado o gene para a doença. Em dezembro de 2016 realizei o exame chamado “sequenciamento genético completo BRCA 1 e BRCA 2” e o resultado foi “mutação não detectada”. O que isso significa? Que não desenvolverei o câncer de mama por descendência. Nossa, que alívio. Desde então, faço meu autoexame, vou ao médico regularmente, faço meus exames como qualquer uma de nós deve fazer, sem aquele pânico. Juro, me senti livre.

E se o exame tivesse apresentado outro resultado? Antes de realiza-lo decidi que iria encarar, independente do resultado. As opções que eu tinha eram:

1) Esperar que as coisas acontecessem; 2) Encarar qualquer que fosse o resultado e agir.

Pedi orientações para alguns médicos e decidi fazer o exame. Meu perfil é esse e não consigo imaginar a minha vida sem ação. Eu me preparei pra tudo, inclusive para remover meus dois seios preventivamente, sim. E contei com o apoio da minha família, mas devido ao resultado negativo tal procedimento não foi necessário. Por isso, agradeço a Deus e as minhas duas estrelinhas que certamente estão lá no céu torcendo e olhando por mim.

É isso, uma mensagem de ação, de protagonismo da própria vida, de amor a si e aos outros, bem como um alerta para a necessidade de nos cuidarmos, nos conhecermos e estarmos atentas a todos os sinais que o nosso corpo nos dá.

Dê atenção a pessoa mais importante, VOCÊ!

Autoexame, exames periódicos, retorno ao médico e nada de não ter tempo para cuidar de si 😉

5 Comentários
  1. Lurdes 4 semanas atrás

    Cada frase me remeteu a história real que de certa forma acompanhei, e que ai da esta muito presente na minha memoria

  2. Luana Dettmer Cabreira 4 semanas atrás

    Obrigada por este texto, vou me cuidar mais pq mts vezes o medo me impede de agir, obrigadaaaaa te amamos escritora LINDA 💖😍😘👏👏👏🙏

  3. Jéssica R. Vargas Wiethan 4 semanas atrás

    Nossa Tais, que texto!!! É tão importante nos cuidarmos mesmo pra que qualquer alteração seja detectada e assim tratada adequadamente. Sinto muito pela perda da tua vó e mãe para o câncer, é uma doença tão complicada, tentamos os tratamentos mas muitas vezes vemos quem amamos lutando e ao mesmo tempo indo aos poucos…já tive alguns casos na familia e não é fácil né…
    Mas fico feliz e aliviada que vc teve coragem de ir atrás e fazer o exame, que graças a Deus está tudo bem com vc!
    Bjos

  4. Marco Penadez 4 semanas atrás

    Parabêns pelo texto e pelos cuidados fico mais tranquilo agora sabendo que tu esta sempre atenta e se cuidando. Bjão Te amo

  5. Camila Freitas 3 semanas atrás

    Taís, obrigada por compartilhar, também perdi algumas pessoas para essa doença e não é fácil.
    Parabéns por contar pra nós! Beijão!

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