O texto da semana passada foi polêmico, e eu sabia que seria, esperava muitas críticas, muitas pessoas me chamando de ingrata, de fresca, achei que minha mãe me ligaria me xingando, que iria apanhar. O texto teve muita repercussão, muitos comentários, tanto aqui no blog, quanto nas redes sociais, e mais um monte de mensagens privadas. Só que a maioria foi de apoio, de agradecimento, diferente do que eu imaginava, muitas mulheres se identificaram, sentiram as mesmas coisas, e assim como eu, se culpam em sentir isso. E algumas, poucas, discordaram com o que escrevi, algumas sem nunca ter passado por uma gestação, e outras já são mães e gostaram, e fico muito feliz por elas, mas a vida é assim, nem todos gostamos das mesmas coisas, nem todos enfrentamos adversidades da mesma maneira, e nem todos os organismos funcionam igual. Algumas mulheres tem tpm, outras não, algumas tem cólica, outras nunca sentiram, já tem aquela mãe que tem depressão pós parto, enquanto outras se sentem realizadas com a maternidade, e devemos respeitar todas, sem julgar, só se sabe o que o outro está passando, quando se sente, quando se vive aquilo, do contrário, são apenas conjecturas, e antes de engravidar eu tinha várias…

Esperar minha filha está sendo uma expectativa linda, a ansiedade em saber seu sexo, ficar horas pesquisando artigos na internet, sobre maternidade, gestação, recém nascidos, decoração do quarto, enfim, eu quero muito a minha filha, e acho que foi isso que não ficou claro. Eu planejei essa gravidez, eu quero ser mãe, e principalmente eu amo minha filha. Planejei todo o chá revelação, eu organizei, fiz as decorações de mesa, de parede, pesquisando moldes, riscando e cortando EVA, por três semanas, fiz os doces, se eu não quisesse, não estivesse feliz com a sua chegada, eu não teria feito nada disso! Estaria em uma inercia, vendo os dias passar… Mal passou o chá revelação, já estou organizando os próximos, sim, plural, serão três… Agora me respondam, isso é coisa de quem não está esperando ansiosamente pelo bebê? Quem rejeita a filha? Não, e como alguém comentou, não tem nada a haver com amor, ele existe, e muito. Eu não estou gostando das sensações que a gravidez estão produzindo em mim, é uma questão minha, com meu corpo, hormonal. Coisa de mulher sabe? Meus seios estão três vezes maiores do que o normal, e estou no quinto mês, ou seja, ainda vão aumentar, e eu que sempre sonhei em por silicone, já não sei mais se quero, sem contar que doem, no início da gestação uma abraço apertado me fazia lacrimejar, minha silhueta mudou completamente, minha cintura sumiu, minha barriga aumenta diariamente, e tudo bem não dar bola para isso, se aceitar, e ser feliz com o próprio corpo, ficar feliz com o barrigão, acho o máximo, e até invejo um pouco, mas eu não sou assim, me incomoda, me olhar e não gostar das minha novas formas, tenho até evitado o espelho, colocar uma roupa e não servir, ou ficar estranho, feio. Isso é meu, sempre fui ligada na minha aparência, perua mesmo, e algumas coisa me incomodam, mas são questões muito minhas, coisas entranhadas de anos.

Existe um apelo da mídia, de tudo lindo, tudo perfeito, aquele verdadeiro mundo de fantasia, nas redes tudo é maravilhoso, e quando não nos encaixamos nesse padrão nos frustramos, temos receio de admitir que não, que não estamos vivendo assim, e é sobre tudo, passamos a nossa vida tentando nos encaixar em padrões, que muitas vezes nem quem prega vive. Tenho uma amiga, que também é blogueira aqui do Blog de Todas, que eu amo muito, e admiro, acho ela a verdadeira mulher maravilha, gente, ela é linda, magra, empreendedora, querida, e mãe de três, sim três, sendo que os mais novos, são um casal de gêmeos, sim, estou falando da Suellen Altermann, e ela sempre me diz, que o que vai para as redes, é só o que é bonito, para eu não achar que a vida são só flores, que tem muita coisa que se passa nos bastidores, e que ficam por lá, que no dia a dia, não é bem assim. E temos a mania, de seguir essas mulheres maravilha, sem pensarmos que elas também tem um lado humano, que nem sempre tudo da tão certo, não é tão lindo. Eu vi mulheres lindas, magras, e gravidas, maquiadas, bem dispostas, e me idealizei, e só o que eu consegui, foi me frustrar, não mantive meu peso como eu queria, não tenho a disposição para me arrumar como antes, minhas roupas não ficam tão bonitas como a daquelas modelos de lojas virtuais de maternidade, sendo que elas na maioria nem estão gravidas, estão usando uma barriga falsa. Durante o tempo, em que eu me obriguei a achar bom, me obriguei a admitir o que estava sentindo, eu só chorei, e depois de admitir, para mim, e para o mundo, que não, eu não estou gostando, tudo ficou mais leve, mais fácil.

Estar grávida altera os hormônios, humor, a vida, a gente surta, e tem aquele dia que acordamos super bem, e já aquele que dá vontade de nem levantar. E cada mulher reage de um jeito, e a mesma mulher pode agir de maneiras totalmente diferentes em cada gestação, não é errado, como eu já disse, não é falta de amor. Não somos robôs. É tudo muito novo, dói, cansa, incomoda, tudo irrita. Algumas passam ilesas por todas essas transformações, antes de engravidar, se eu lesse meus textos iria achar, ‘ essa guria é louca, fresca, ingrata’, por isso que por mais que alguém te conte, tu nunca vai saber até viver, e mesmo que eu soubesse, eu digo, que por mais difícil que esteja sendo, eu viveria de novo, não me arrependo, só que admitir a verdade, faz ser mais leve, não precisar olhar, sorrir, e dizer que está tudo bem, quando na verdade, a vontade é de deitar no ombro da pessoa e chorar, é libertador, não está tudo bem, mas tudo bem… Faz parte, acontece. Sem culpa, sem cobranças, sem padrões… Não escolhemos o que sentir, ou não existiriam as depressões, não escolhemos sofrer, sentimentos, como diz a minha amiga Ana, não vem num manual, não vem engarrafado, podemos buscar, podemos querer, mas tem dias que acontece, de não estarmos bem, somos humanos. Já tive muito medo de fazer mal para a minha filha, hoje já não tenho mais, consegui separar, minhas questões como mulher, e meu desejo de ser mãe, do quanto espero por essa menina.

Desculpe se te choquei, mas escrever sempre foi a minha forma de me encontrar, e mais uma vez está me salvando. Afinal… Antes eu sofria, agora eu escrevo! Aos poucos vamos voltando, esse texto já não teve lágrimas, já foi mais fácil, mais leve… Libertar os fantasmas foi bom, aliviou, saiu o peso, não precisar fazer de conta algo que não existe. Até a próxima, beijos…

2 Comentários
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