Desde criança cresci ouvindo da minha mãe a expressão: “ está querendo abraçar o mundo com as pernas? ” Naquela fase da minha vida o mundo o qual precisava dar conta consistia em organizar minhas rotinas diárias com a escola num turno, educação física duas vezes por semanas no contra turno, atividades voltadas para escola (trabalhos, temas, estudar para provas) nos demais dias grupo escoteiro aos finais de semana, grupo de jovens kardecista na quarta-feira à tardinha, e claro a vida de pré-adolescente que requeria estar com as amigas. Isso tudo ganhava um status gigantesco de afazeres, tornando-se muito para dar conta. Eu sempre envolvida, querendo tudo ao mesmo tempo, ouvia constantemente a expressão da minha mãe: “Guria você quer abraçar o mundo com as pernas não tem como!” O tempo passou e com ele novos compromissos começaram a surgir, com novas características, uma vez que a idade adulta foi se apresentando, juntando-se a ela, a intensidade e o nível de atividades foram assumindo outros rumos, exigindo a cada situação um pouco mais. Frente a isso, como essa pequena mulher de 1.55cm de altura, iria abraçar o mundo com as pernas? Praticamente impossível! Foi e está sendo necessário aprender de fato como dar conta desses compromissos todos, sem tonar-se uma mulher elástica desejando abraçar tudo ao mesmo tempo. Eu bem que tentei, porém diariamente lembro da minha mãe com sua frase e penso: agora entendo o que ela queria dizer naquela época.

Nossa vida segue o ritmo que damos a ela, é impossível abraçar o mundo ou seja, todas as atividades que temos durante a semana, a laboral neste momento é imprescindível, necessitando de 40 horas mínimas semanas de dedicação, além dela juntam-se as sociais, pessoais, conjugais, esportivas, familiares, educacionais, as esporádicas, os imprevistos…ufa!! Isso que ainda não tenho a atividade maternal.  É impossível nos tornarmos elásticas e abraçar vários compromissos ao mesmo dia. Caso nosso imaginário julgue que conseguiremos, o corpo físico falará mais alto e logo, logo dará uma curta e decidida resposta, que geralmente vem na forma de uma crise de ansiedade ou uma labirintite ou uma gastrite, que pode abrir uma porta para outras duas “ites” evoluindo para uma bronquite ou bronqueolite que surgem de fundo emocional e não há pernas que aguentem carrega-las. Assim somos obrigados a parar, deitar, descansar, repousar, pensar e reorganizar nossa tão corrida vida.

Nessa confusão toda, surge o ser racional que para, pensa e avalia, partindo disso começa a elencar prioridades, para não prejudicar os afazeres, aqueles que nossas pernas darão conta.  Mantendo qualidade de vida para assim abraçarmos o mundo, mas com carinho, junto aos nossos familiares, amigos, felizes, desbravando tudo o que ele tem a nos oferecer com muita saúde e alegria.

Não deixemos que as atividades do dia a dia, nosso trabalho, e todas a situações que se apresentam consumam nossas energias nos levando ao adoecimento. Sejamos felizes, saibamos elencar as atividades e também dizer não! As vezes esse não é o sim para nossa liberdade.

 


Cassiana Marques da Silva

Pedagoga, Mestre em Gestão Pública – Servidora Pública Federal.

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