Maternidade, quando do sonho surge um pânico! – BLOG DE TODAS

Mulherada linda… O texto de hoje, não tem nada de pesquisa, de conclusivo, ou algum estudo, é um simples desabafo! Sim, um desabafo… Eu tenho medo de ser mãe! Não é um assunto que vi em algum lugar e resolvi abordar, é algo daqui de dentro, um texto totalmente sentimental, vou dividir com vocês meus anseios, quem sabe receber algumas dicas, elucidações, mas também quero mostrar para outras mulheres, que não tem nada de errado, que não estamos sozinhas, e que não somos anormais por isso.

Estou casada já fazem oito anos, então imaginem a pressão! É família, amigos, sociedade em si. Mas mais forte do que tudo isso, meu marido quer muito ser pai! Ele entende meus medos, respeita meu tempo, diz que não posso gerar um outro ser contrariada, que não seria bom, nem para mim, muito menos para o bebê. Ele entende tudo isso, não me pressiona, mas ele quer! E isso por si só, de forma indireta é uma pressão. Como não atender a essa vontade de alguém que eu amo? Ao mesmo tempo, como superar todos esses receios?  Para vocês terem uma ideia, eu já pedi o divórcio! Sério! Eu fui muito clara, não vou te impedir de realizar teu sonho, vai viver ele, já que eu não me sinto apta para partilhar isso contigo. Só de lembrar as lagrimas rolam… Mas eu amo ele, e como que eu vou atrasar a vida dele desta forma?! Na época ele, falou que não era bem assim, que queria ser pai comigo… Enfim, estamos juntos, mas esse vazio ainda existe!

Não pensem que sou avessa a maternidade, que não gosto de criança. Não, acho lindo, um momento único. Recentemente minha tia mais nova teve bebê, e isso mexeu bastante comigo, ele é lindo! Quando vejo um bebê não consigo segurar um sorriso, adoro. Me pego pensando, idealizando, sonhando… Mas ainda existem muitas coisas que me travam. Sei que ao descrever aqui meus medos, as mamães de plantão vão saltar, sabe de nada inocente! Kkk Só que são aflições minhas, decisões, abdicações. Acredito que nada é igual para ninguém, cada uma tem a sua vida, suas dificuldades, que não existe uma regra. Não é que eu não queira abdicar da minha vida, que não saiba que nada será como antes, que vai ser outra vida. Eu tenho medo de não dar conta, de não ser capaz!

Os primeiros meses! Aquela fase do puerpério, é o que mais me assusta, o fato do bebê chorar, e eu não vou saber o que fazer! Ter de lidar com todas as mudanças no corpo, tantos hormônios, tantas coisas novas, tudo junto! E uma enorme responsabilidade nos braços, eu tenho medo de não dar conta do recado! De não saber lidar com as noites mal dormidas, ou sem dormir, de ter necessidade de um tempo meu, para pôr minhas ideias em ordem, e não poder me dar a esse luxo. De modificar toda a minha rotina, quem me conhece sabe, é tudo certinho, organizado, e a bagunça, a reviravolta que a maternidade vai fazer na minha vida, me apavora. Pode parecer egoísmo, principalmente para quem já é mãe, mas para quem tem, ou procura ter tudo sobre controle, quase um TOC, kkk, é algo muito impactante. Meu medo é surtar, ter uma depressão e não dar a devida atenção que o bebê precisa e merece.

Durante anos coloquei a carreira profissional na frente, digamos que já foi meu maior medo, antes mesmo do citado a acima. Medo de ficar tanto tempo fora do mercado, de perder espaço na empresa, como meu trabalho é muito manual, quase artesanal, receio de perder a prática. E principalmente, ser demitida assim que o período de estabilidade acabar. Me imaginei com uma criança, e desempregada! Hoje já me sinto um pouco mais segura quanto a isso, talvez por me sentir mais segura como profissional, não tenho mais tanto medo do desemprego. Não que isso não me tire o sono as vezes, mas já não é o que me impede. Só que existe o temor de não ter condições de prover o sustento, de não ter como manter nem o necessário, alimentação, escola, saúde, lazer… Não penso, que tenho de dar para meu filho tudo o que não tive, mas quero poder oferecer algumas coisas que eu queria ter tido e feito, e não pude, não que eu vá dar tudo o que ele quer, mas que não deixe de ter acesso as coisas.

Outra coisa, que me deixa de cabelo em pé! Kkk Não saber criar! Sim, muitas pessoas dizem que reparo nas malcriações dos filhos dos outros, por ainda não ser mãe. Mas eu tenho muito medo de ter um filho mal educado, que as pessoas não querem por perto, daquela coisa, lá vem a Danieli com aquela criança impossível. Sei que fazer arte faz parte do processo, que tem coisas que são normais, só que vejo comportamentos que no meu tempo, quando eu era criança, que eram inaceitáveis, tudo bem que os tempos são outros, mas tem coisas que não consigo aceitar. Crianças desrespeitado os pais, sendo até agressivas. Não honrar as pessoas mais velhas, teimosias, querer tudo ao seu tempo, querer tudo o que vê, e impor isso. Desculpem, mas comigo não foi assim, e hoje agradeço pela criação que tive, e tenho medo de não conseguir ter essa postura, dar esses ensinamentos ao meu filho (a). Eu trabalho muito, tenho uma rotina bastante cheia, e cansativa, e se eu não conseguir dedicar o tempo necessário para a criança? E se por isso eu acabar permitindo certas coisas?

Eu tive uma infância complicada, desde muito cedo tive que lidar com coisas das quais não tinha maturidade, tenho traumas que vou carregar pelo resto da minha vida. Gostaria de poder dar outro ambiente, um lar de verdade, de manter a pureza, a inocência, que meu filho(a) não precise ter preocupações ou medos iguais aos que tive. Que seja acostumado com a tranquilidade, que não esteja sempre sobre tensão.

A gestação, o parto e a saúde do bebê, me preocupam bastante, de ter uma gestação difícil, de não poder ter uma vida ‘normal’, poder seguir com as minha atividades, dentro do possível, nesses nove meses gestação, se chegar aos nove meses, um parto prematuro, ou um bebê com problemas de saúde, são fantasmas que me assombram. Um parto complicado, que ponha em risco minha vida e a do bebê.

Provavelmente, muitas mamães leram meu texto revirando os olhos, muitas me criticaram. Mas esses são os meus receios, eu procuro ter uma vida muito organizada, tudo muito programado, claro que com a maternidade não poderia ser diferente. Sim, eu já fui a psicóloga, já debati muito esse assunto, até o fato de ser tão certinha. Gostaria de poder lidar com esse assunto com mais naturalidade, deixar fluir, mas considero uma responsabilidade muito grande, para simplesmente deixar acontecer. Vejo muitas mulheres tendo filhos não desejados, e formando pessoas ressentidas. Eu sei que não estou sozinha, sei que existem muitas meninas na mesma situação, sentindo essa mesma pressão, sonhando, e não conseguindo superar esse medo. Espero conseguir ser mais forte que o medo, e fechar essa lacuna, cumprir o ciclo, não por me sentir pressionada, mas por ter essa vontade, querer viver essa experiência, dar oportunidade a esse ser de vir ao mundo, e ajuda-lo a ser uma boa pessoa, alguém que seja do bem, e de quem eu possa me orgulhar um dia.

Fico por aqui, chorando! Até a próxima quinta, com o nosso tema da violência contra mulher… Beijos!

 

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