Em novembro de 2017 escrevi um texto que teve muita repercussão, acho que foi o que mais chamou a atenção até hoje, era sobre os meus medos da maternidade, na época eu tinha medo só de cogitar na possibilidade de pensar em ter filhos. Mas como todos os textos, e todos os assuntos que trouxe para o blog, depois de escrever, parece que desbloqueei um trauma. E comecei a encarar diferente, e com tantos comentários, tantos apoios, enfim, acabei transformando, o que era pânico, em um desejo incontrolável. Que eu sou neurótica, maníaca por controle, e ansiosa, já abordei em vários dos meus textos. E claro que na maternidade não seria diferente! ‘Deixar rolar’, ‘Entregar para Deus’, ‘Vamos ver o que acontece’ … Definitivamente, não é muito a minha cara, e eu sempre quero planejar tudo, estar à frente de tudo, mesmo que nem sempre isso seja possível. Decidi encarar a maternidade o mais planejada possível, e mesmo tendo perdido o controle muitas vezes, e sabendo que vai chegar um momento que tudo vai escapar do meu domínio, eu ainda estou tentando manter as coisas dentro do meu planejado. Só que isso me faz pensar muito, ‘e se’, e assim vão nascendo preocupações, ansiedades, e medos, muitos medos…

 

Eu tinha medo de não dar conta, financeira, emocional, e fisicamente. De não saber o que fazer, de não ter dinheiro para manter, de não aguentar as noites mal dormidas… E todos os esses medos ainda me assombram, mas hoje eu aprendi, que perfeição não existe, que fraquejar as vezes é humano, que pedir ajuda não é feio, e que até a Mulher Maravilha, não dá conta de tudo, o tempo todo. E assim, imperfeita, com planos que nem sempre saem como eu quero, e com muitos medos, eu encarei a maternidade. Eu sempre quis ter filhos, sempre sonhei, mas eu exijo muito de mim, não quero que nada saia fora do planejado, quero ser sempre impecável, e que tudo seja perfeito, e na maternidade não seria diferente. Então, sabendo que manter esse padrão, na maternidade, é praticamente impossível, eu fui postergando, era muito difícil para mim, me permitir arriscar. Eu precisei me curar, me entender, aceitar, e permitir, para conseguir perceber que eu posso, e devo ter filhos, que eu vou dar o meu melhor, e que se eu errar, vai ser tentando, me dedicando, e sempre buscando ser uma ótima mãe. A maternidade em si, é um desafio, mas para mim tem um desafio contra mim mesma, minhas neuras e necessidade de manter o controle.

 

Mas eu sempre pensava nos medos pós parto, da rotina que será com um bebê, em como vou me sair no papel de mãe. Eu nunca pensei nos medos que eu teria durante a gestação, e que muitos na verdade, eu não tive coragem de falar nem para a médica. Foram medos que só fui ter, e entender depois de estar grávida, medos que eu nunca imaginei. Quando nos descobrimos grávidas, passamos a pensar não em nós, como indivíduos, mas em alguém que habita nosso corpo, e ainda nem conhecemos, mas que já depende dele para existir, alguém ainda tão frágil, e que chega a assustar do quanto transforma nossa vida com apenas um tracinho a mais numa tirinha. Temos medo de comer, de não comer, de fazer exercícios, mesmo sabendo da importância, de tomar remédio, de fazer qualquer coisa errada, cada detalhe, nossa vida deixa de ser nossa, e isso já não tem mais importância alguma. Tenho medo de engordar, mas também tenho medo de não fornecer para o bebê o que ele precisa, quero me manter ativa, mas e se eu fizer algo que prejudique ele??? Cada ação é pensada no bem estar de outro alguém, logo eu que me colocava como prioridade…

 

Meu primeiro medo foi quando contei para o Pablo da gravidez, eu achei que iriamos contar para os mais próximos, a família, e esperar um pouco, mas ele queria muito esse filho, foi uma realização muito grande para guardar, e ele contou para todo mundo, brinco que ele para as pessoas na rua e diz, ‘vou ser pai sabia?’ … E minha mãe também, contou para todos que passavam por ela. Só que eu tinha apenas um exame de farmácia, e um resultado de bhcg, e se não tivesse bebê? E se não estivesse tudo bem? E se não tivesse batimento? Eles estavam felizes, e eu em pânico! Marquei minha primeira ecografia com caráter de urgência, eu precisa ver, precisa ouvir, saber que estava tudo bem, que era real. Ouvir aquele batimento, acelerado, foi um alivio, sim, tinha um bebê, tinha outro coração batendo dentro de mim. Naquele momento eu me senti grávida! E se eu pudesse eu faria uma eco por semana, só para saber se está tudo bem, se ele está se desenvolvendo, se está ali mesmo. No começo, é tudo muito vago, é um volume nos seios, a barriga que aumente diariamente, a calça que aperta, enjoos, sono, mas nada que nos de a certeza de que existe mesmo um bebê, de que ele está bem. Oro todos os dias para que se desenvolva com saúde, que venha perfeitinho, no tempo certo. Me pergunto o tempo todo se estou fazendo as coisas certas. E é muito louco saber que aqui dentro, tem outro corpo se formando, tirando de mim o que precisa, do quanto eu mesmo sendo imperfeita, sou capaz de doar, do meu corpo para gerar outra vida. É inexplicável, é magico, é um amor que só mãe conhece, que eu nunca senti, e pensar que cogitei não viver isso…

 

O medo mais delicioso que já senti! E maior amor que já senti…

 

Bom pessoal, esse foi meu recado de hoje, dividi meus medos com vocês, e me emocionei, espero que vocês também se emocionem, e entendam o que estou sentindo… Volto na semana que vem, quero dividir com vocês as descobertas, as dúvidas, questionamentos… Beijos e até quinta!

 

2 Comentários
  1. Sandra 9 meses atrás

    Tb tive muitos medo,mas a amor supera tudo

  2. Camila Freitas 9 meses atrás

    Aiii Dani, eu leio e fico imaginando, que bom que tomou a decisão de sentir esse medo.
    Eu sempre digo tem que ir com medo mesmo!

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