Quase todas que tem pais separados já passaram por essa situação. Quando o pai ou a mãe encontram um novo companheiro. Quem já passou sabe o quanto é complicado, delicado. Um misto de receio, curiosidade, insegurança e muita preocupação. No meu caso, quando meus pais se separaram, eu não fiquei triste, revoltada, muito pelo contrário, eu enxergava que a relação deles estava sendo prejudicial, não só para eles como casal, mas para todos que estavam indiretamente envolvidos. Como a situação acabou de certa forma complicada, eu não imagina que tão cedo minha mãe iria querer se envolver com alguém de novo, achei que ela ficaria receosa, mas ela me surpreendeu. Então quando minha mãe me falou que estava conhecendo outra pessoa, vários sentimentos me abateram, mas em momento algum eu tive aquele sentimento de ciúmes, de querer interferir, tentar fazer com que meus pais reatassem o casamento ou algo assim.

 

Juntas, eu e minha mãe passamos por muitas coisas, e criamos uma relação muito sólida, focada na cooperação, na cumplicidade e apoio. Como desde muito cedo, as situações me obrigaram a ter percepções, entender no menor sinal o que estava acontecendo, eu me tornei uma pessoa muito ansiosa, preocupada. E eu me preocupava muito com o bem estar da minha mãe, e por muitas vezes me senti responsável por ela, sei que parece loucura, mas quem me conhece sabe que sou assim, quero abraçar o mundo. Quando ela me falou que estava namorando, um sinal de alerta ligou, um instinto de proteção.

 

A forma como a minha mãe me contou, e a reação que tive foram engraçadas. Estávamos conversando pelo facebook, e eu estava para ir visita-la, então ela quis me contar antes, para eu não ser pega de surpresa, e ela começou, como sempre cheia de voltas… “Eu tenho uma coisa para te contar…” Já liguei o alerta, e falei “huum”, e ela começou “estou namorando, um Milico…”. Eu quase cai dura, na cidade onde nasci, e onde minha mãe mora, tem um arsenal de guerras, e tem muitos ‘miliquinhos’ que seriam os soldados, rapazes de pouco mais de dezoito anos, demorei alguns segundos, até registrar aquelas palavras e perguntei, “…mãe, quantos anos ele tem?” ela estranhou, mas respondeu, e me falou que era um sargento, morava em Porto Alegre, e eu falei que tinha achado que era um soldado. Muitos risos. Confusão desfeita, noticia dada, e agora? Como lidar com isso?

 

Fui para General Câmara na semana seguinte, com o coração disparado, ansiosa, curiosa. E o Jorge foi almoçar conosco no domingo, na casa dos meus avós. Pensem numa pessoa impenetrável! Blindado! Ele também estava nervoso, medo de não ser aceito, sei lá. Não pude sondar nada! E minhas preocupações dobraram! Voltei para casa cheia de dúvidas e medos. Procurei manter a serenidade, mas aguardando o próximo encontro. E quando aconteceu foi mais leve, mais permeável. E as coisas foram acontecendo, a intimidade foi se criando, e o Milico foi cada vez mais se mostrando uma pessoa incrível, alguém com quem se tem prazer de conviver.

 

Hoje o Milico sem dúvidas já é alguém da família, uma pessoa incrível, incansável. Sempre solicito, pronto para ajudar, pronto para qualquer situação, quando eu digo qualquer, é qualquer mesmo, desde ir no show de rock, de um músico que ele nem conhece, só para me fazer companhia, como para dormir várias noites em uma poltrona, para acompanhar meu avó no hospital. Isso tudo, achando bom, de boa vontade, sem nunca reclamar. Alguém que não mede esforços para ajudar o próximo. E que desmanchou todas e quais quer duvidas que estivessem importunando minha mente, me provou a pessoa maravilhosa que é, e o grande companheiro que se tornou para minha mãe, alguém que depois de tudo o que ela passou, hoje a mima e trata como merece. Ele não vai ocupar a posição de meu pai, isso não tem como, são papeis distintos e muito bem definidos, mas hoje posso dizer que tenho um carinho paternal por essa figura, alguém que me trata com zelo, e sei que posso dizer, amor fraternal. Que sempre procura ser agradável comigo, meu marido e minha cadela, mesmo quando chegamos chegando, na casa que é dele, ocupamos o sofá, e até mesmo a cama, e ainda quer que escolhamos o cardápio.

 

Faz tempo que quero escrever esse texto, e aproveitei a semana do teu aniversário para isso. Milico, aqui eu sei que posso falar pela família toda, e me dirigir diretamente a ti, sei que está lendo. Muito obrigada por estar fazendo parte da nossa família, tu não faz ideia do quão bem nos faz, do quanto a nossa relação melhorou depois da tua chegada, tu veio para apaziguar. Tu é muito importante para nós, mesmo com tão pouco tempo, e até agora só nos fez gostar a cada dia mais de ti. Tu é uma pessoa muito especial, que todos que te conhecem gostam. Que Deus nos permita muitos anos na tua companhia, e que essa relação se solidifique cada vez mais, e que tu siga assim, trazendo paz e união por onde tu passa. Muito obrigada mesmo, de coração, por me mostrar que as coisas podem ser diferentes do que eu acreditava, por tratar tão bem a minha mãe, e por toda o carinho e dedicação pelos meus avós.

 

Bom mulherada, termino o texto por aqui, em lágrimas, mas foi muito bom poder relatar tudo isso. Até a próxima quinta, vou falar sobre o Prêmio Blogueira Destaque, e o blog de todas na minha vida. Beijos e até lá!

 

2 Comentários
  1. su.altermann 2 meses atrás

    parabénsDani por ser oq tu é! Teu jeitinho de escrever é incrível

  2. Nanda Fernandes 2 meses atrás

    Que liiinda homenagem!

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