Mesmo com todos os debates que se tem hoje sobre igualdades de gênero, sobre violência contra mulher, tudo o que já se fala, e falou, ainda sim tem muita gente que acha que é bobagem, que isso não existe, o chamado ‘mimimi’. Ou pior quem ainda tende a culpar a mulher pelos assédios, ou agressões, e não só os homens tem esse tipo de postura, mulheres também. Ao invés de nos unirmos contra o machismo, ainda muito forte, na sociedade em que vivemos, continuamos a nos tratar com rivalidade, e culpabilizando, umas as outras, como se nunca tivéssemos, sido vítimas, ou como se não estivéssemos passiveis a viver muitas outras situações em que o fato de sermos mulheres, justifica a ação, ou isenta o agressor, mulheres apontam outras mulheres, julgam as roupas, criticam umas às outras, quando deveríamos nos apoiar, ajudar, prestar socorro, aconselhar. As mulheres precisam se abraçar, dar as mãos, e unidas mostrarmos quem somos, o que somos, e o quão forte podemos ser, juntas podemos mais, e o machismo se fortalece é na nossa desunião.

 

Não gente, mulher não apanha por que quer! Mulher não fica casada com agressor por falta de vergonha na cara, mulher não é estuprada porque pediu, não é assediada por causa de roupa… Parem de isentar o homem de tudo. Um relacionamento envolve duas pessoas, as duas são responsáveis em fazer dar certo, em amar, respeitar, cuidar… Respeitar! Essa deve ser a palavra de honra em um relacionamento, tudo tem que começar com respeito, e a partir do momento em que se parte para uma agressão, seja do lado que for, o respeito já acabou, e faz tempo. Temos que respeitar o espaço, a individualidade do outro. Homens tem que aprender a respeitar as mulheres, não é porque está com um short curto que dá direito de passar a mão, só um exemplo, para não me estender… E agressão não é só bater, não! Acho que todo mundo já ouviu isso né, mas vale lembrar… Censurar roupas é agressão, mexer no celular é agressão, privar do convívio com familiares, ou outras pessoas é agressão, desmerecer, desprezar, humilhar, expor, tomar posse de bens materiais… E na maioria das vezes, em um relacionamento abusivo a última pessoa a se dar conta, é a vítima, ela fica tão enredada nessa teia de agressões, que acha, que é normal, ela desconhece outra vida, não sabe que merece, e pode ter um relacionamento diferente.

 

E dai a sociedade cai de pau, em quem?! Na mulher que não separa, que usa roupa curta, que saiu sozinha, que bebeu…Ninguém condena o homem que agride, que ameaça, que persegue, que detém toda a renda familiar. Antes de julgar, procurem entender. Talvez ela não tenha nem percebido o quão doente é a relação em que esta, tamanho o caos psicológico em que se encontra depois de tantas agressões. Ou não saiba como sair, tem medo, é ameaçada, não tem dinheiro. O assédio dia mais sobre o agressor do que sobre a vítima, já fui assediada sem estar usando roupas curtas… Quem está de fora, é fácil julgar, e apontar, mas viver com um agressor é um desfio diário, tu nunca sabe qual a reação dele, é pisar em ovos, viver trancando a respiração. E os jogo psicológicos, de uma dia ser um monstro, e no outro, o melhor dos maridos? Uma mulher machucada, com uma auto estima destruída, sem um pingo de amor próprio, ela vai se agarrar com unhas e dentes na figura do bom homem, e isso não é culpa dela. É como um afogado, tentando submergir em mar aberto, ele sabe que não vai escapar com vida, mas ele não quer acreditar que acabou. Casamos por amor, quem nunca sofreu por amor? E quando o amor da nossas vidas, se mostra diferente do que imaginamos, é muito difícil admitir, admitir até mesmo que nós erramos.

 

Eu vivo uma relação onde eu tenho liberdade, saio sozinha, visto as roupas que quero, tenho meu dinheiro, enfim, definir liberdade, é muito relativo. Mas sim, tenho uma relação baseada na liberdade, e na confiança, convivemos em harmonia, nos respeitando acima de tudo. E as pessoas são tão viciadas a julgar, a terem posições machistas, que frequentemente me questionam, mas e teu marido não se importa? Ele deixa? Gente, entendam, amar, ser casado, não é ser propriedade de alguém. E ainda existe esse valor deturpado de casamento, de que a mulher deve obediência. Nós nos amamos, nos respeitamos, e entendemos que o fato de ir a uma festa sozinha, não desabona o nosso sentimento, que as roupas não definem meu estado civil. O problema da violência contra mulher está entranhado na nossa sociedade, em detalhes que nem percebemos, eu já me peguei tento posturas machistas.

 

Os homens são unidos, se protegem, sem muitas vezes nem conhecer, defendem os direitos uns dos outros, o que não está errado, eles é que estão certos. Enquanto nos mulheres nos acusamos uma as outras, falamos nas costas, apontamos, fazemos piada, julgamos, e enquanto estamos nos comportando com essa rivalidade, o machismo se aproveita dessa fragilidade e se fortalece. Pois agindo desta forma, até nós somos machistas. Vamos nos unir, amparar mais. Está vendo a amiga na pior, chama para um café, vê se não tem como ajudar, convida para sair, oferece ajuda, mesmo que ele não aceite, só em saber que alguém se preocupou, ela já vai se sentir amparada, tocada com o carinho, pode ser um começo. Mulher em situação de vulnerabilidade precisa de apoio, não de julgamento. Claro que as vezes precisamos ser firmes, e largar a verdade, dar um choque de realidade, mas tudo tem jeito, e hora certa, ajude. Eu sei o que uma mulher nessas condições vive, procure compreender, espere o tempo dela, mas nunca desista dela, talvez a tua amizade, pode ser a única coisa que ainda resta. E as amigas, são o maior tesouro que podemos ter nessa vida…

 

Não julgue, ajude…

 

Bom pessoal, esse foi o recadinho pesado da semana, mas fazia tempo que eu não trazia o assunto, vamos ser luz, em meio a escuridão da vida de alguma mulher, ampare, sempre… Na próxima semana, eu quero abordar sobre a metamorfose constante que nós somos, da nossa eterna capacidade de mudar de opinião. Beijos e até quinta…

 

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