Oii, amores! Voltei! Perdoem essa falta de posts aqui, por favor, sei que muitas querem continuar lendo minha história, mas está complicada a rotina. Tenho tentado me desdobrar em mil para conseguir fazer tudo, mas a faculdade tem me tomado muito tempo… Prometo que tentarei ser mais presente aqui, ok?!

Quem quer continuar lendo a minha história de vida? o/ … então vamos nessa!

Minha segunda apresentação foi a coreografia “A Lenda da Imembuí” no espetáculo “Nossa gente, nossa dança.”, no Teatro Treze de Maio em Santa Maria. Me lembro exatamente dela que se tivesse que apresentar hoje, apesar de tanto tempo sem ensaiar, eu saberia. Ela me marcou muito por que foi a primeira coreografia que eu apresentei no Theatro Treze de Maio, um Teatro  que sou completamente apaixonada, e por que eu dancei solta no palco, sem as monitoras carregando as cadeiras e tudo mais. Essa coreografia eu andei sozinha com a minha cadeira, me mexi sozinha, fiz a coreografia “sozinha”, apesar de ter mais 3 pessoas comigo na coreografia. Sempre gostei de ser independente, e essa coreografia me possibilitou isso.

Foram tantas as coreografias que seria impossível citar todas aqui. Fomos para tudo que é lugar do Brasil: Santa Cruz, Cruz Alta, Chapecó, Juiz de Fora, São Paulo, etc. Cruz Alta foi uma das viagens mais incríveis que fiz. Primeira viagem com o grupo, minha irmã foi comigo. Era o 1° Campeonato de Dança Das Diversidades. Apesar de não termos ganho, a experiência já valeu.

Eu lembro de cada detalhe dessa apresentação. Lembro que foi lá que minha paixão pela dança, pela arte e por palcos foi aumentando cada vez mais. Ver todas aquelas apresentações feitas por pessoas com todas as deficiências imagináveis. Chegamos na cidade e, na minha cabeça, era em um lugar super simples, como a gente já tava acostumado a se apresentar, mas não. Gente, nunca vi um Auditório tão maravilhoso, com toda a acessibilidade do mundo. Sério, marcou demais! Enfim, acho que não tem uma apresentação que não tenha me marcado de alguma forma, seja ela boa ou ruim.

Além das nossas apresentações teve uma em especial, de um outro grupo, que me deixou encantada, marcou bastante. Coisas que aconteceram ao decorrer da coreografia me encantaram de um jeito absurdo. Eram pessoas com Síndrome de Down. Eles fizeram uma coreografia em cima da musíca “Planeta Àgua’’ de Guilherme Arantes. Estavam apresentando normalmente a coreografia, até que então uma das meninas que se apresentava caiu e acho que houve alguma coisa com a roupa dela, por que ela mexeu na roupa, mas ela nem ligou e continuou a dançar. Se fosse eu, naquele idade, me desesperaria. Fiquei encantada com a facilidade que eles tem de reverter a situação, improvisar.

Me vi ali uma criança que iria ser completa e absurdamente sensível. Essas cenas, de pessoas como eu, felizes, superando suas limitações  me emocionavam demais pois eu ficava pensando: “Nossa, tomara que eu cresça e seja assim, que nada venha a me abalar independente da minha limitação ou não.”. Dito e feito, graças a Deus!

Nós voltamos para Santa Maria e, devido à minha deficiência, às minhas cirurgias feitas quando nasci e tudo mais, eu tive que começar alguns tratamentos mensais, tanto aqui na cidade quanto em Porto Alegre na AACD – Associação de Apoio à Criança Deficiente

Na época, meus pais tinham somente um carro e, como minha mãe trabalhava e estudava,  meu pai tinha que ir sempre de ônibus para Porto Alegre comigo.

O bom da criação que eu tive é que toda essa rotina, para mim, não era nada ruim, eu não via como uma coisa chata e nem nada, sempre levei muito na boa desde pequenininha. Claro que, tanto para mim quanto para o pai, era uma rotina super cansativa, afinal andar de táxi ou ônibus por toda a Porto Alegre comigo no colo e mais duas malas nos braços não era nada fácil. Mas, uma das coisas que sou muito grata nessa vida é que, apesar de não ter sido uma rotina fácil, meu pai nunca se queixou de nada. E não era aquela historia de “é pai, é obrigação fazer isso”. Era mais que isso. Além de ele saber que era a obrigação dele, ele sempre quis estar envolvido em tudo que se tratava da minha deficiência. Por minha mãe trabalhar e estudar muito, para hoje eu ter tudo o que eu tenho, muito quem me acompanhava na maioria das vezes em médicos, natação, fisioterapia e tudo mais, sempre era ele.

Todo mundo me pergunta de onde vem tanto amor por Porto Alegre, por que sempre falo de Porto Alegre, sempre amo estar lá e etc. Entenderam agora? Gente, minha infância toda foi nessa cidade. Eu passava mais tempo lá do que em casa. Fui uma criança que sempre tive muitas coisas em casa, muito brinquedo mesmo, tinha tudo, mas eu aprendi a brincar com as coisas mais simples que vocês imaginarem. Eu levava a minha boneca preferida para a viagem e lá brincava de mamãe e filhinha. Sentada na cadeira corria para tudo que era canto. Encontrava uns amiguinhos pela AACD e ia correr por todo aquele hospital. Muitas vezes chegava na hora de eu ser atendida e lá ia meu pai atrás de mim e não me achava por que eu tava brincando de esconde – esconde. Entrava em tudo que era corredor para ver o que tinha lá (metida que só ela hahaha). Para quem conhece a rodoviária de Porto Alegre, sabe que os bancos da área de embarque tem aqueles arcos em volta, né? Adivinhem o que a pestinha fazia… Sentava (sozinha) no banco, se enfiava entre os arcos e ia até o final. Não sei como tô viva e inteira e como meu pai ainda não tem cabelos brancos. hahaha!

E aí, minhas lindas, gostaram? Espero que sim! Até a próxima! <3

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

FALE CONOSCO

Nos envie seu um e-mail e nós retornaremos para você, o mais rápido possível.

Enviando

©2019 BLOG DE TODAS desenvolvido com muito amor.

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

Create Account