Esse mês não poderia deixar de escrever sobre a maior festa da cultura popular, o carnaval.  Tão esperado por uns, “odiado” por outros, e por alguns, o proveito se deve apenas pelo feriado prolongado. Pois bem, independente de opiniões, e respeitando todas, hoje escrevo com amor e emoção, de quem foi criada junto a uma escola de samba, conhecendo os meandros dessa festa que SIM, é a maior festa cultural que nosso país acolhe.

Destaco a diferença entre o carnaval dos blocos de rua, os quais dezenas, centenas e até milhares de pessoas se reúnem fantasiadas, ou com abadás e saem nas ruas a brincar junto aos trios elétricos ou charangas, os carnavais de clubes, com seus salões decorados elegantemente, e bandas a tocar, e o carnaval das escolas de samba. Esse, o sujeito do texto.

Meu amor por escola de samba vem de berço, meus pais, desde a década de 70 foram assiduamente integrantes da escola  mais antiga da cidade da Santa Maria –RS, a Associação Artística e Cultural Vila Brasil.  Cresci nesse contexto de tradição carnavalesca, desde os meus 6 anos, lá estava na avenida, feliz em meio a brilhos e paetês. Em 1988 fui rainha infantil de um clube de ferroviários da cidade, em 1989 coroada rainha infantil da minha escola do coração.  A devoção pela festa popular foi aumentando, e com os anos também a busca pela compreensão do sentido de tudo aquilo, que perpassa os brilhos, cânticos e paetês.

Nos anos 2000, minha mãe (falecida) foi integrante da diretoria da escola, posteriormente tornou-se presidente por 6 anos, conquistando o campeonato no ano de 2006. Com isso, foi denominada carinhosamente pela comunidade como “a guerreira da Vila Brasil”,  sendo a primeira presidente mulher campeã do carnaval. Nesse período e durante uma década,tive a oportunidade carregar com muito orgulho o Estandarte da Vila , recebendo também no ano de 2006, o troféu Estandarte de Ouro do carnaval de Sana Maria, sendo reconhecida em virtude da boa apresentação e desempenho na avenida. Minha vivência junto a escola foi intensa, aprendi muito sobre a estrutura técnica, montagem, enredo, samba, os quesitos a serem avaliados pelos jurados e especialmente sobre o mágico,encantador  e árduo papel do carnavalesco.

Arrepio-me ao falar, compreender que a beleza que encanta na avenida, acontece por meio de muito, mas muito trabalho, pesquisa, horas de estudos em bibliotecas e trabalho de campo, praticamente uma tese para poder dar vida ao tema escolhido.  Nossa cidade acolheu por décadas o carnaval de rua, festa grandiosa, oportunidade de turismo, lazer e empregos, no entanto, por não ter a compreensão e o entendimento sobre a importância dessa festa popular , pelo poder público e boa parte dos cidadãos, o carnaval de rua das escolas de samba de Santa Maria foi esmorecendo, a última vez que as escolas desceram a passarela do samba foi no ano de 2016.

Frente a isso, os amantes do carnaval procuram locais em que essa cultura é valorizada, sendo assim, há 3 anos, eu, minha família e um grupo de amigos desembarcamos na cidade do samba, Rio de Janeiro, para acompanhar os ensaios e desfiles na Sapucaí e vivenciar de perto o maior espetáculo do Brasil, ouso a dizer da terra.

É lindo ver  “o pão nosso de cada dia”, virar enredo da Unidos da Tijuca e ter sua história cantada e encantada na Marques de Sapucaí, conhecer de forma leve a história do pão, alimento tão sagrado, instrumento de milagre por Cristo, sendo contado desde sua matéria prima o trigo, casando com uma alusão aos escravos que no sentido pejorativo “comeram o pão que o diabo amassou”. Isso é arte, é cultura, é história!

                Assistir a Estação Primeira de Mangueira fazer uma crítica social, sobre os heróis que não estão nos retratos, desvelando a importância que os negros, índios e mulheres tiverem na construção desse país, e não viraram símbolos da história, nos faz em meio ao luxo e originalidade conhecer mais sobre a construção, criação da nação, vida,cultura e também refletir sobre as questões sociais que nos rodeiam.

                Não poderia encerrar o texto sem dizer que me entristece observar por vezes, que essa linda festa é manchada por cenas de violência, promiscuidade, drogas, álcool e abusos de todas às ordens. Porém quero deixar para nossos leitores a boa imagem e a aula cultural que o carnaval das escolas de samba nos presenteiam, famílias, crianças , idosos, pretos e brancos , ricos e pobres,  brasileiros e estrangeiros, todos juntos torcendo por sua escola do coração.

Um grande abraço no coração de todos.

Cassiana Marques da Silva

Mestre em Gestão Pública

Servidora Pública Federal.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*

FALE CONOSCO

Nos envie seu um e-mail e nós retornaremos para você, o mais rápido possível.

Enviando

©2019 BLOG DE TODAS desenvolvido com muito amor.

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

Create Account

Pular para a barra de ferramentas