Eu precisava comprar roupas brancas, então fui para o shopping, bem feliz, com uma amiga. Só que minha felicidade durou pouco…

Quando me vi no grande espelho, com a luz reveladora do provador, me assustei e ali mesmo comecei a chorar. Por mais que a roupa branca pareça injusta, ela mostra a realidade. E a minha estava ali, gritante, na calça que não fechava. Não chorei por achar que estava gorda, ou por ter que comprar uma calça dois números acima do habitual e ainda ficar apertada. Não chorei por me comparar com as musas fitness que vemos nas redes sócias, que ganham bebê em um mês e no outro, aparecem plenas. Não chorei por frescuras do tipo, chorei porque pela primeira vez, depois de meses, me olhei realmente no espelho e me percebi.

Sempre fui bem magra, inclusive sofria bullying na escola, recebendo apelidos como “seca do diabo”, “Olívia Palito, “Miss tabuinha”, entre outros. Enfim, na minha primeira gravidez, engordei pouco e logo voltei ao peso inicial. Na segunda gravidez foi a mesma coisa, mas dois meses depois que meu filho nasceu, tive uma crise de ansiedade, (não foi depressão pós parto, foi outra coisa, que contarei em breve), por conta disso, desenvolvi compulsão alimentar e ganhei mais quilos do que quando grávida. Passava comendo, não tinha fome, mas sentia uma necessidade urgente de comer alguma coisa. Às vezes comia escondida, outras vezes, comia muito rápido até passar mal. Um dia comi tanto que, além do peso na consciência, a dor na barriga foi tão grande que fui para o banheiro induzir o vômito. Como tinha outra preocupação, achava que aquilo era bobagem. A situação que desencadeou minha ansiedade passou, deixando de herança a comilança desenfreada, até “o dia do provador”.

Eu me sentei no chão e chorei, não por vaidade, chorei porque percebi que estava doente. Sim, compulsão alimentar é doença! Um transtorno muito sério que pode nos levar a atitudes extremas e desencadear bulimia e, ou anorexia. Então comecei a sentir vergonha de mim mesma e só contei os fatos para a psicóloga que passou a me acompanhar e para a amiga, que estava comigo no fatídico dia. E por mais que eu estivesse ciente da situação, foi difícil me controlar, parar de comer besteiras, voltar a ter uma alimentação normal e saudável.

Hoje estou bem, me alimentando normalmente e buscando a melhoria física, não só por questões estéticas, mas principalmente, para uma melhor qualidade de vida com saúde.

Estou compartilhando este meu episódio com vocês, não para chamar atenção, ou ganhar comoção, mas alertar que, a linha do equilíbrio emocional é muito tênue. Precisamos ter uma auto estima e autoconhecimento muito grandes, para não sermos engolidas por essas fobias e transtornos.

Pode parecer besteira para quem nunca passou por coisa parecida. Podem achar exagero, mas só quem já passou por algo parecido, sabe da agonia que é perder o controle. Pode parecer pouca coisa 12kg acima do peso, ainda mais para uma mãe cujo filho fazia cinco meses de nascido, mas volto a salientar, não estou tratando aqui, de estar ou não estar gorda e sim, de saúde emocional. No meu caso, se não me encarasse de verdade, buscando forças para lutar contra isso, combatendo os reais motivos do distúrbio, meu peso aumentaria comprometendo tanto minha saúde mental, quanto física. E essa é a questão; nos conhecer, nos encarar no espelho, nos olhar nos olhos sem análises comparativas, porque somos únicas e sem deixar que tendências capitalistas e hipócritas, nos guie. Apenas nos olhar com sinceridade, respeito e amor, reconhecendo nossas reais fraquezas e percebendo nossas qualidades. E nunca ter vergonha de buscar ajuda, seja pelo motivo que for, o que não podemos fazer, é nos ignorar.

Provavelmente vocês já leram coisas parecidas, viram histórias semelhantes em novelas e cinemas, mas na vida real acontece muito mais do que é retratado na ficção. E não somos imunes. Então gatedo, se olhem hoje. Se olhem primeiro com admiração, depois com gratidão, e por fim, com curiosidade. Se redescubram e se melhorem se for preciso. E façam isso por e para vocês pois, o verdadeiro amor e aceitação precisa partir de dentro da gente.

Espero com isso, não só ter me exposto, mas ter incentivado mulheres que como eu, por questões diversas se perderam de si, a buscar ajuda, encarar a realidade e não deixarem nunca de se amar como são. 

Com sororidade… Bjobjo

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