Escolhi escrever esse texto, por ser um assunto que me incomoda, me causa inquietação, revolta, e por coincidência caiu bem na semana em que este assunto está super na mídia, com uma repercussão enorme, opiniões divididas, e muito preconceitos a mostra. Como a maioria já deve ter visto nos noticiários, ou na internet, escutado falar, enfim, está em pauta, uma mulher se relacionou com um homem pela internet, por oito meses, e no primeiro encontro, no apartamento dela, ele a agrediu por quatro horas. E nesse momento as pessoas mostraram suas piores facetas, ao invés de se revoltarem contra o agressor, passaram a julgar a vítima. Como na maioria das situações de agressões, de feminicídios, de violência pelo simples fato de sermos mulheres, as pessoas, apontaram ela como responsável pelo o que aconteceu. E em meio a toda essa repercussão, eu me revoltei muito, e me veio à tona o antigo pensamento, do quanto o machismo está entranhado na nossa cultura, nos nossos lares, na nossa educação.

 

Aquele antigo ditado, “Prende a tua cabrita, que meu bode está solto”, fomos criadas sob essa filosofia, as meninas tem que se portar, tem que serem damas na sociedade, Deus o livre ficarem faladas, existem comportamentos que não são compatíveis com as meninas, meninas não podem isso, meninas não podem aquilo, e os meninos, ah, os meninos são os meninos… Sempre me revoltei, até mesmo quando era criança, não entendia o porquê, qual a diferença? Cresci em um lar machista, numa sociedade machista, e por muitos anos me dobrei, e tive atitudes machistas, aceitei trabalhar por dez anos em um ambiente onde o fato de eu ser mulher me fazia ser vista como menos que os demais colegas, e permiti. E tudo isso por que? Porque somos criadas para não contestar, aceitar, nos colocarmos no nosso lugar, afinal, isso é coisa de mulher. Mas não, por favor, NÃO! Não façam isso com suas filhas, não as criem, achando que elas tem que aceitar, que precisam se colocar no seu lugar, que tem que fazer de conta que não tem vontades, desejos, porque isso não seria coisa de menina. Não criem seus filhos acreditando que são os donos do mundo, só porque nasceram homens, não criem homens que não sabem respeitar uma mulher, que acham que tem a liberdade de usar e abusar de uma mulher, criem seus filhos sabendo respeitar, sabendo exigir respeito. Mulher não tem que se dar ao respeito, ela tem que ser respeitada, independente das suas escolhas, assim como os homens são.

 

As mulheres tem que fazer de conta que não gostam de sexo, que só fazem para agradar os homens, ou são taxas, de diversos adjetivos, não podem gostar de filme pornô, não podem sair com vários homens, Deus o livre ter relação no primeiro encontro, masturbação então, proibido, já para os homens, estranho seria o contrário. Meninos tem total liberdade de levar para casa namoradas, ficadas, rolos, enfim, a entrada é liberada, ninguém questiona, se aquela menina nunca mais voltar, e no outro dia for outra, normal, ele é homem. Enquanto as meninas não podem levar ninguém para casa, as vezes só o namorado de muito tempo, e na maioria das vezes não dormem juntos. E muitas vezes essas duas situações acontecem na mesma casa! Irmãos são criados diferente, apenas por serem de sexo diferente. Uma mesma mãe, tem dois discursos! Mas já se colocaram no lugar da outra mãe? Imagina a mãe da namorada do teu filho? Já pensou? Ela preocupada com a pureza da filha, enquanto tu educa teu filho de que ele pode o que ele bem entender? Estamos o tempo todo precisando nos defender, nos preservar, não podemos andar assim, não podemos fazer assado, já que alguns homens podem vir, e ferir nossa honra, e esses mesmos homens, jamais se casariam com mulheres de moral manchada… Eu sei que estou generalizando, e que muitos lares não são assim, apenas quis chocar, e se ainda estou aqui lutando, escrevendo esse texto, é por acreditar que ainda é tempo, que tem pessoas fazendo diferente, e que podemos vencer o machismo, mas tem que começar dentro de casa.

 

Uma mulher é agredida, violentada, e é responsabilizada, por ter colocado o agressor dentro de casa. As pessoas que acusam, não pensam que ela conversou com ele por oito meses, que ele foi ardiloso, um psicopata, premeditado, que ele primeiro conquistou a confiança dela, para depois agir da forma monstruosa como foi. Durante esses oito meses essa mulher deve ter feito todos os questionamentos que vocês julgam que ela não tenha feito, ou não teria demorado oito meses, ela deve ter tipo medo, pudor, mas foi seduzida por um monstro, que atire a primeira pedra a mulher que nunca se deixou seduzir por alguém que a decepcionou. Mas como ela conheceu na internet, deixou entrar na sua casa, todo mundo se arma. Quantas mulheres colocam para dentro das suas casas homens, que nunca as bateram, mas traem, exploram, e cometem uma serie de violências, mulheres com filhos, que colocam estranhos, que abusam dos seus filhos. Todas somos vítimas, de uma sociedade que não foi feita para nós. Onde devemos ficar à margem, nos comportando como nos ensinaram, e exigem, enquanto os astros principais podem dar os seus shows. E quando uma mulher ousa ser feliz, ter prazeres, ter igualdade, e dá errado, o mundo inteiro aponta que ela desviou do seu papel de mulher, de ser submissa a um estereótipo, de não aceitar que não somos menos que homem algum, que temos tantos direitos quanto os homens, quando agimos assim, somos taxadas, julgadas, e monstros inocentados. Por favor, entendam, amanhã, podem ser vocês! Não julguem, não critiquem, sensibilidade, estamos todas vulneráveis, ver mulheres acusando me dói, me revolta mais do que o próprio comportamento masculino.

 

Eu estou grávida, e ainda não sei o sexo do meu bebê, na semana passada, escrevi um texto sobre educação de filhos, sobre o que funciona, ou não, sobre os fracassos e vitorias que poderei ter. Mas não abro mão de ensinar um mundo de igualdade, onde todos devem ser respeitados, onde todos tem direitos. Acredito que todo o machismo é reflexo de uma educação defeituosa, coisas entranhadas a muito na nossa sociedade, e assim como me debati, e sempre questionei, mesmo criada de uma forma muito enraizada nesse sistema opressor, eu vou fazer o máximo que eu puder, para fazer diferente no meu lar. Esse bebê que está aqui dentro já vai nascer em uma sociedade diferente da minha, e vai ser educado diferente de mim, e do pai dele, independente do seu sexo, eu vou ensina-lo a amar, respeitar, a todos, e estimula-lo a lutar, assim como eu, por um mundo melhor, onde mulheres não precisam ter medo de serem agredidas o tempo todo, onde os homens entendam que não são donos do mundo, onde as mulheres tem que se dobrar as suas vontades.

 

Eu acredito num mundo melhor… E ele começa dentro de casa!

 

Bom pessoal, vou parando por aqui, porque já estou chorando muito, por favor, se unam, vamos criar um mundo melhor para nossos filhos, começando por eles! Volto na semana que vem, vai ser leve um juro, vou falar como está sendo estar gravida, como estou me sentindo. Beijos e até quinta!

 

3 Comentários
  1. website development 5 meses atrás

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  2. Tais 5 meses atrás

    Dani, que texto verdadeiro. Concordo plenamente contigo. Minha mãe já dizia que um homem machista e cheio de preconceito contra as mulheres foi criado por uma mulher, infelizmente. Então sejamos nós mães agentes transformadores desta triste realidade. Eu já estou fazendo a minha parte e tenho certeza que você fará a sua, daqui a pouquinho com o seu bebê.
    Parabéns por abordar essa temática com coragem e clareza.

  3. archive 5 meses atrás

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