Pãe – BLOG DE TODAS

Olá Gurias, tudo bem com vocês?

     O que falar desse “véio” ranzinza e cheio de manias… Esse que esteve, e se fez presente desde meu nascimento até a vida adulta. Esteve nos bastidores de toda a minha história. Nas derrotas e nas vitórias. Aquele que contava historinhas e inventava musiquinhas para tornar lúdico até a mais comum das tarefas. Que fazia “gominha de maisena” para colar os recortes dos trabalhinhos da pré-escola. Aquele que deixava a janta pronta pra quando eu chegava cansada da faculdade.

     Aquele que nunca me disse apenas “sim” ou “não” para um questionamento. Nunca me levantou a mão para uma palmada. Pois decepcioná-lo por qualquer arte de criança, doía muito mais que um tapa. Sempre me fazia refletir sobre todas as questões, e quando eu estava prestes a tomar uma decisão, nunca havia um conselho pronto. Ele me fazia medir os prós e os contras, e resolver por mim mesma. E pra finalizar ele soltava um pesado e sonoro “teu coração é teu guia”. Graças a isso, entendi desde muito cedo, que tudo tem consequência na vida. E meu caráter, quem eu sou, depende das minhas ações, e não só das palavras.

   Ele nunca mandou embora os meus monstros debaixo da cama. Ensinou-me a encará-los nos olhos e a mandá-los embora, ou aceitar e conviver com o “inquilino”. Fez-me ter senso de auto responsabilidade, a ser correta, a ter honestidade, a ser humana. E com sua maneira “rabugenta” de ser, me ensinou a não forçar convivência nem amizades. Ensinou-me a não implorar atenção e a ser eu mesma, custe o que custar. Qualquer relacionamento que começa com algo além do nosso “eu verdadeiro” o torna vazio e efêmero. Isso vale para amizades e para o casamento também. Graças a isso, sou a mesma Ellen no trabalho, na família, no meu casamento, com meus amigos. Minha personalidade prevalece.

     Eu sempre fui o “gurizinho do pai”. Pois na minha casa mulher nunca foi sinônimo de “frágil” ou “submissa”. Minha Mãe trabalhava fora, e meu pai trabalhava em casa e era a “dona da casa”. Meu “véio” me contava muitos contos de fada, mas sempre ensinou que ser uma princesa a espera de um príncipe é se enganar. Ensinou-me, que eu sou meu próprio herói. Que a minha felicidade depende de mim e não de um homem. Pois um relacionamento, feliz e saudável, vem de duas pessoas completas que convivem por amor, e não por necessidade ou dependência.

   Influenciou minha paixão por arte. Meu gosto por literatura. Meu hobby por desenhar. Do gosto dele pra música, nasceu em mim o amor pela dança. E principalmente a minha paixão por escrever. Meu Pai deixou muitos sonhos para trás. Pra me ensinar a correr atrás dos meus. E oro a Deus todos os dias para agradecer por ter esse homem maravilhoso como Pai. E peço ao menos um bocado dessa sabedoria toda para educar meus filhos como eu fui educada. Com certeza eles terão um avô e tanto para admirar e se espelhar. Te amo, Pãe.

    

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