Oii, leitoras lindas! Tudo bem com vocês? Estou muito feliz com tantos comentários, tanto carinho e em ver tanto interesse que vocês tem em me conhecer mais… Tudo isso me dá mais energia e força de vontade pra sempre fsazer o meu melhor aqui! <3

Então, como prometido, hoje continuarei contando minha história mais um pouquinho. Espero que gostem!

Então vamos lá… 

Meus pais me colocaram na creche Balão Mágico com 1 ano e 10 meses. Num primeiro momento parecia – lhes uma boa ideia, mas passou uns dias e eles viram que não estava sendo bom para mim. Nessa creche que eu estava, enquanto meus coleguinhas brincavam junto com as professoras eu ficava sozinha do outro lado da sala, num cercadinho separado. Isso aconteceu por 2 semanas seguidas, até meus pais perceberem que tinha algo diferente em mim. Eu não estava alegre como normalmente, chorava muito toda vez que minha mãe ia me deixar com as professoras da creche. Um dia meu pai foi quem me deixou lá e eu chorei tanto, me agarrei tão forte nele que ele me levou de volta para casa naquele dia. Eles já estavam preocupados com aquela minha reação então um dia chegaram, de surpresa, para me buscar antes do horário e me viram sozinha num canto enquanto as outras crianças brincavam juntas. Minha mãe ficou pasma com a situação e começou a discutir com uma das professoras da minha turminha. A explicação da professora foi de que elas me deixavam longe para me “proteger” e “proteger” as outras crianças. Elas tinham medo de que as crianças me machucassem, pisassem em mim e de que eu pudesse também machucá – las . Essa historinha não colou para os meus pais e então eles me pegaram no colo e foram embora. Nunca mais voltei para aquela creche.

Aos 2 anos entrei numa escolinha que, na época, chamava Educatto. Foi tudo diferente, graças a Deus. Apesar de eu ter sido a única criança com deficiência física ali, eu me dava muito bem com meus coleguinhas e com meus professores, todos encaravam a minha deficiência com a maior naturalidade. Tinham todo o cuidado do mundo comigo, mas me tratavam igual a qualquer criança, me incluíam em tudo. Eu adorava ir para a escolinha. Nessa época meus pais já estavam me ensinando que eu não tinha que me prender às minhas limitações. Saber que elas existem, mas não deixar de fazer tudo aquilo que eu quiser por causa delas.

Meus pais me contaram que uma vez uma professora contou para eles que um coleguinha meu me viu engatinhando pelo pátio da escolinha e quando chegou na sala de aula perguntou para a professora o porquê de eu não andar como ele. A professora foi começar a explicar para todo mundo a minha deficiência e eu interrompi ela. Eu, com apenas 2 anos de idade, quis explicar com as minha palavras a minha deficiência. Ela também comentou que meus coleguinhas ficaram vidrados em mim, prestaram mais atenção e entenderam muito mais quando eu expliquei do que se ela mesma tivesse explicado. Ela ficou encantada. Uma criança de 2 anos explicando com tanta facilidade e clareza algo tão complexo para essa idade. Eu engatinhava por tudo naquele lugar, por isso muitas vezes as crianças tinham essas dúvidas. Era tudo tão diferente para nós naquela idade.

Eu me lembro até hoje daquela escolinha: entrava no portão e tinha uma rampa enorme. Eu adorava pegar os colchonetes, que nos deitávamos para dormir, nas salas de aula e escorregar naquela rampa. Subia as escadas, da sala de informática, engatinhando. Já era “sem sossego” desde pequena. Isso tudo me resultou a uns 15 pontinhos no queixo. Um dia fui subir um degrau para ir para a sala, levei um joelho para a frente e esqueci do outro. Dei de cara no chão e abri o queixo. Sério, eu lembro direitinho eu sentada no colo de uma professora, enquanto ela ligava para os meus pais, com aquele queixo aberto, uniforme todo ensanguentado e eu não derrubei uma lágrima, acreditem se quiserem (guria dura na queda desde pequena, hahaha.). Acho que só me desesperei quando já tava com pontos e deu para baixar a cabeça, vi todo aquele sangue e dai que eu me liguei na seriedade da situação. Lembro dos enfermeiros me dando ponto na Unimed, as pessoas tudo me segurando e eu não entendendo o por quê. Eu não estava nem chorando mais e nem querendo sair dali, pra que me segurar? Às vezes parece que ainda sinto a dor no queixo. Não sei se é desconforto, dor psicológica, porque foi uma coisa que me marcou, ou se sinto real.

Lembro como se fosse hoje todas as comemorações que eu participei lá. Dia das mães, dia dos pais e as apresentações, primeira festa junina e minha roupa de caipirinha. Minha primeira apresentação da escolinha foi no Teatro Santa Maria. Foi uma peça com vários animais e eu era um cachorrinho. Imaginem a cena: Mico total!

Com 4 anos e meio fui em uma apresentação de ballet da minha irmã. Vendo ela dançar eu me emocionei. Quando meus pais viram minhas lágrimas logo me perguntaram o porquê daquilo e eu respondi:

__ Queria poder andar, dar esses passos, dançar igual a Babinha!

Então foi uma choradeira sem fim. Eles me disseram que eu deveria dançar como pudesse, que nunca deixasse de fazer o que quisesse, mas que achasse a minha maneira de fazer.

Quase completando 6 anos, como eu já estava começando a me interessar bastante por esportes e já gostava muito de dança,  meu pai resolveu me levar  na UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, para conhecer um grupo de dança chamado Grupo de Dança Sobre Rodas Extremus, coordenado pela professora do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM, Mara Rubia Antunes, ex – colega de faculdade do meu pai. Nesse grupo tinha desde pessoas que não tinham deficiência alguma até pessoas com paralisia cerebral, autismo e, principalmente, deficiência física. Na minha primeira reunião nesse grupo eu estava super nervosa. Lembro que eu fiquei grudada no meu pai e só respondia as coisas que ele me perguntava: meu nome, minha idade e como conheci o grupo. Fiquei lá vendo o ensaio deles e no fim a professora veio conversar comigo, perguntar o que eu tinha achado do grupo e me convidar para fazer parte dele. Eu tinha ficado encantada com o grupo, tinha achado um máximo ver como pessoas com a mesma limitação que a minha, ou até com limitações piores, viviam bem, feliz porque tinha achado uma maneira com a qual pudesse se expressar, fazer tudo aquilo que gostava. Logo aceitei o convite e permaneci nesse grupo por 11 anos.

O grupo me ajudou muito na minha formação como pessoa, como lidar com minhas limitações. Com eles eu consegui crescer olhando para a minha limitação de uma forma diferente, percebi desde pequena que tudo aquilo que meus pais falavam de que eu podia fazer tudo que quisesse, bastava achar a minha maneira de fazer, era verdadeiro. Meu amadurecimento sobre minhas limitações foi muito rápido. Não amadureci somente para com elas, mas sim na vida. Desde pequena já me virava sozinha, não aceitava que ninguém fizesse uma vírgula por mim. Aprendi, com uma viagem com o grupo, a não ter medo de ficar sem minha família longe. Em uma de nossas apresentações, lá em Juiz de Fora, Minas Gerais, aos 12 anos fiz minha primeira viagem de avião, e me virei super bem. Mas isso eu conto nos próximos capítulos, então segue lendo aí…

Os ensaios do grupo sempre aconteciam aos sábados, de tarde, no Ginásio Desportivo II da UFSM. Para mim, o sábado era o melhor dia de toda a minha semana, esperava ansiosa pelo sábado. Tão ansiosa que as aulas só começavam 14:00 horas da tarde e era 11:00 horas da manhã e eu já estava pronta esperando a van que levava o pessoal para a UFSM. A gente sempre ensaiava 2 horas por dia. Chegávamos no ginásio, fazíamos uma rodinha e nos apresentávamos. Sempre. Não importava se já nos conhecíamos. Fazíamos várias dinâmicas para aquecimento, com corda, bambolê e depois começávamos os ensaios. Era muito legal poder montar as coreografias ali por que, apesar de sermos pequenos, as professoras nos davam voz, sempre ouviam nossas dicas e montavam as coreografias de acordo com aquilo que elas achavam interessante nas nossas ideias e de acordo com o que elas sabiam que era legal de inserir.

A hora de ir para o chão: minha hora preferida. Saia da cadeira sozinha e voltava para ela sozinha também. Deitava e rolava naquele chão. Coisa de criança, né?! Mas que era bom, era.

Minha primeira apresentação foi lá no Ginásio dos ensaios. Lembro até hoje da roupa rosa da coreografia. Com o tempo eu fui virando uma criança muito extrovertida, adorava aparecer, adorava “festa”, palco, dança (ainda amo). Então, para mim, aquela função de ensaio no palco de apresentação, provas de roupas para apresentação, correria para se arrumar, era demais. Meus pais cansavam, mas estavam sempre comigo por que sabiam que eu amava aquilo. Eu levava muito a sério a dança. Uma criança sempre leva suas atividades na brincadeira, mas eu não fui assim. Levava como um pouco dos dois: era divertido, eu brincava, me expressava muito bem com a minha cadeira de rodas, mas na hora de ser responsável eu era também. 

Bom, meninas, é isso… Eu espero que vocês gostem do post de hoje! Falei um pouquinho mais de mim, de como foi pra mim lidar, tão pequena, com o preconceito, e do meu amor pela dança <3

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