O que você pensa quando ouve falar em parto humanizado? Há uns 2 anos quando eu ouvia sobre o assunto, imaginava que era algo da moda, pois algumas famosas estavam “fazendo isso”, tendo bebês em casa, em banheiras, piscinas e etc. Eu também achava um pouco de loucura querer “sentir dor” a dor do parto sendo que atualmente existe a possibilidade de se fazer cesárea.

Até que um dia, enquanto fazia especialização, me deparei com uma palestra sobre parto humanizado na universidade e decidi participar. Eu realmente me surpreendi, porque sabia muito pouco e tinha uma ideia equivocada do que era um parto humanizado e então eu me apaixonei “por esse mundo” e partir dali participei de outras palestras, congressos onlines, comecei a curtir muitas páginas sobre o assunto, ler vários relatos e hoje posso considerar que sei mais sobre o assunto e esse texto é para esclarecer o que é um parto humanizado.

Primeiramente, Humanizar a assistência à saúde é dar lugar não só à palavra do usuário como também à palavra do profissional de saúde, para que ambos possam fazer parte de uma rede de diálogo. Cabe a esta rede promover as ações, campanhas, programas e políticas assistenciais, tendo como base fundamentalmente a ética, o respeito, o reconhecimento mútuo, a solidariedade e responsabilidade.(1)

Assim, parto humanizado não se constitui de apenas um tipo de parto, mas, independentemente de qual for, respeitar esse momento tão importante da vida da mulher, respeitar suas vontades, de não a submeter a procedimentos desnecessários, de fazê-la protagonista nesse processo e dar somente a assistência realmente necessária a ela e o bebê, pois a natureza e a fisiologia do parto se encarregam do restante.

Existe um apoio muito grande ao parto natural/normal por saber o quanto ele é benéfico para mãe e para criança, mas também da cesárea, quando ela realmente se faz necessária, pois existem situações onde ela é indicada.

O movimento de humanização do nascimento é uma luta contra um nascimento instrumentalizado e uma estrutura dominante de agenda obstétricas e neonatais onde prevalece o que é melhor para a maternidade e para os médicos. O cenário obstétrico brasileiro, que em muitos lugares ainda valoriza partos normais sobrecarregados de intervenções de rotina, desnecessárias cesárias eletivas agendadas.(2)

No Brasil, 56% dos bebês nascem de cesáreas marcadas e desses 84,6% são na rede privada, taxas que vão contra o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta cesáreas entre 10% e 15% dos nascimentos. Entre os motivos que levam as gestantes a esta escolha  estão diversos fatores, como desatualização e má formação médica (que não está a par dos estudos sobre parto e reproduz um atendimento falho), medo da dor do parto, ponto crucial para uma gestante que não recebeu assistência adequada e que está imersa em uma cultura social de medo de sentir dor, na qual o método medicamentoso é a solução recorrente para lidar com as frustrações, além de ser uma cultura industrializada, por meio da qual bebês nascem como pequenos robôs sem que suas mães os sintam intraparto (o que não diminui, obviamente, tudo o que foi sentido durante a gestação e o que ela sentirá com a cicatriz da cesárea ou durante o  puerpério). (2)

Mesmo após ser bem informada sobre os riscos de uma cesárea eletiva, a parturiente brasileira pode escolher passar pelo procedimento. Assim, sua vontade será respeitada, mas conforme uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) de junho de 2016, que determina que a cesariana a pedido da grávida só pode ser realizada a partir da 39ª semana de gestação. (2)

 

Procedimentos desnecessários que não tornam o parto humanizado:

·         Anestesia/analgesia

·         Múltiplos exames vaginais

·          Monitoramento permanente dos batimentos cardíacos fetais e da contração uterina por meio eletrônico

·         Posição fixa e não anatômica da mãe durante o processo

·          Jejum

·         Uso do soro e de medicamentos para controlar a contração (para aumentar ou diminuir),

·         Episiotomia

·         Uso de fórceps

·         Manipulação do bebê (aspiração mecanizada de vias aéreas, injeções e procedimentos na primeira hora de vida)

·         Luz e ruídos excessivos

·         Limitação de movimentação

·         Lavagem intestinal e depilação da região genital

Depois de tantas intervenções, fica difícil atribuir o adjetivo humanizado ao ato de dar à luz. Mas, o mais preocupante é que, em muitos hospitais, tais procedimentos se tornaram de rotina, independentemente de serem necessários ou não, e são realizados sem consulta prévia à grávida ou a seus familiares. Daí a tendência de as mulheres exigirem um parto mais humanizado. (3)

 

O que torna um parto humanizado:

·         Permitir que a mulher tenha o direito a um acompanhante tanto antes, como durante e após o parto (lei do Acompanhante )

·         Permitir que a mulher escolha a posição que se sente melhor durante o trabalho de parto e parto

·         Realizar somente procedimentos necessários e perguntar se é autorizado pela parturiente (uma boa dica é realizar um plano de parto, colocando todas suas vontades e informando a equipe antecipadamente)

·         Permitir que ao nascer, o bebê vá direto para os braços da mãe, para que tenham contato pele a pele e possa já ser amamentado

·         Clampeamento tardio do cordão umbilical

Dicas de empoderamento para buscar o parto humanizado:

·         Elaborar um plano de parto: para que todas as suas escolhas sobre intervenções e orientações intraparto estejam alinhadas com a equipe e, em caso de um parto hospitalar, protocoladas na maternidade.

 

·         Buscar grupos de apoio: seja por páginas com relatos de parto, seja em grupos de apoio presencial, busque mulheres que já passaram pela experiência. Compartilhar ajuda a se preparar para o parto. Assistir vídeos de parto normal, compreender a fisiologia do parto e do seu corpo, mas não esquecer que os vídeos são editados e que a realidade é diferente e não necessariamente tem playlist calmante.

 

·         Informar-se sobre as leis e condutas éticas médicas: Informe-se sobre a lei do acompanhante, práticas de rotina, violência obstétrica, estrutura do sistema público e privado. Episiotomia e Manobra de Kristeller são violência obstétrica.

 

·         Informar-se sobre as recomendações para parto mais recentes e baseada em evidências científicas: Cobre que sua equipe esteja atualizada. Siga páginas de referências como Érica de Paula, Bráulio Zorzella e Melânia Amorim, profissionais da área da saúde com larga experiência na humanização e medicina qualificada.

 

·         Seu corpo, suas regras: O corpo é seu, é você quem vai parir. A máxima mulheres sabem parir e bebês sabem nascer é válida, mas há ocorrências intraparto que podem encaminhar você para uma cesárea. A cesárea salva vidas, quando bem indicada. Não é à toa que se recomenda uma taxa de 10% a 15% de sua prática. Certifique-se de que está fazendo a melhor escolha para você e seu filho.

 

·         Seu corpo, suas regras (2): Você não precisa satisfazer a vontade de seus familiares sobre o nascimento do seu filho. Informe-se com qualidade, conscientize-se sobre os benefícios de ser também um mamífero e prepare-se para o puerpério e para a amamentação.

 

·         Confiar no seu corpo e na natureza: Permita-se entrar em trabalho de parto, permita-se não se cobrar sobre o parto que você idealizou e o que você vai viver. Sua equipe não vai parir, ela vai assistir, acompanhar, contribuir. Quem faz o parto é a mãe. As decisões são tomadas em conjunto. Confie no seu corpo. Seu filho segue confiando.

 

·         Dói e não dói: Dor não é necessariamente sofrer por ela. Cada mulher é única, assim como a gestação, assim como o modo como lida com o nascimento e a dor. Prepare-se para estar entregue a você mesma durante o parto. (2)

 

Finalizo esse texto informativo com o desejo e a esperança de que alcance e ajude muitas futuras mamães e também incentive muitas mulheres a apoiar esta causa: o direito de um nascimento mais humanizado!!!

E deixo duas dicas:

Ø  O filme O Renascimento do Parto, que esclarece bem a realidade obstétrica brasileira

Ø  O vídeo O que é parto humanizado,  do Canal Trocando Figurinhas, da Naumi Goldoni. 

 

Beijos a todas blogueiras e leitoras!

 

Referências:

1.        Política de Humanização da assistência à Saúde http://www.humanizasaude.rs.gov.br/site/artigos/manual/

2.        O que é a humanização no parto? http://www.taofeminino.com.br/gravidez/humanizacao-do-parto-respeito-mae-e-bebe-nascimento-parto-protagonismo-s2130482.html

3.       Entenda como é um parto humanizado https://bebe.abril.com.br/gravidez/entenda-como-e-o-parto-humanizado/

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