Por que nós mulheres somos obrigadas a servir os maridos (namorados, cônjuges…)?

 

E será que somos obrigadas mesmo?

 

Por que foi ‘determinado’ assim?

 

E por que aceitamos?

 

Essas perguntas sempre rodearam meus pensamentos, sempre, desde muito cedo, MUITO CEDO. Me perguntava, por que tem que ser assim? Ele não pode fazer? Ele não pode buscar? Me incomodava com esse comportamento muito comum, na maioria dos lares que eu frequentava, principalmente na minha casa. Inicialmente comecei refletindo, depois me questionando, questionei minha mãe, e passei a protestar, o que não foi bem visto, muito menos aceito. Em uma das cenas polemicas da atual novela das 21h, no caso do delegado e da enteada, ela se recusa a ir buscar um suco para ele, alegando que ele mesmo poderia fazer isso (não vou entrar no assunto do abuso infantil, pelo menos não hoje). Eu me enxerguei naquela cena, descreveu como muitas vezes me senti, e da forma como quis agir, e fui tolhida por olhares censuradores.

 

Mas e por que?

 

Na verdade ainda não sei a resposta, estou aqui tentando entender.

 

Há algum tempo atrás, as mulheres não trabalhavam ‘fora’, por assim dizer, não tinham participação no orçamento familiar, isso ficando restrito aos homens, então como ficavam em casa, os serviços domésticos ficavam destinados a ela (agora vai ter gente querendo me matar, mas…) Justo, eu pelo menos acho que essa divisão é justa, mas ficando claro, lidas domésticas! Como lavar, limpar, cozinha, cuidar do filhos… Agora, o marido chegar em casa, se atirar no sofá com o controle, mandando e desmandando, reclamando, e sendo servido, desde copo de água, me perdoem, mas não entendo, e me revolta. Não é porque a esposa ficou em casa, que não deixou de trabalhar, também está cansada, merece repousar. Somos esposas, não empregadas, copeiras. É preciso desvincular o papel da esposa, do papel de serviçal. Serviçal é um trabalho digno, e que merece SALÁRIO, quer alguém que te sirva, pague! Não sou contra aos agradados, quando vindo de ambos os lados. A esposa estar na cozinha e quando ir para sala alcançar uma água, o marido vir do quarto e trazer uma manta, enfim, favores, trocas.

Hoje em dia somos responsáveis por dividir o orçamento doméstico, muitas de nós já possuímos a maior renda da casa, temos jornadas de trabalho com a mesma, ou maior duração. E mesmo quando o homem, detém o maior salário, e paga a maioria das contas, a mulher não é obrigada a servir, ela não tem que ‘pagar’, casamento não é negócio, quem dá mais, quem paga manda, quem recebe obedece, casamento é amor, cooperação, é convivência, apoio mútuo. É ver no outro um companheiro, alguém com quem contar, crescer e construir uma vida juntos, não ter alguém que seja obrigado a realizar os nossos caprichos. E ainda assim muitas vezes recai sobre nós todas as responsabilidades do lar. Isso não está certo, não é justo. As tarefas tem de ser divididas por todos que moram na casa. Do mesmo jeito que se divide contas, tem de dividir o trabalho. Só que nem sempre é assim que acontece. Na minha geração, as filhas mulheres ainda foram criadas aprendendo a servir, e o meninos não tinham responsabilidades, claro que na geração passada foi pior, e que atualmente as mães vem ensinando seus filhos a participarem das tarefas.

PARTICIPAR, ninguém AJUDA, a partir do momento em que se mora em uma casa, se tem obrigação de manter aquele lugar funcionando em conjunto com todos os outros, ninguém deve se escorar em ninguém. Eu vejo hoje uma grande mudança de comportamento, hoje se fala muito nisso, se exige. Eu exijo! Não vou repetir na minha casa o comportamento que condenava na minha infância. Não vou criar minhas filhas servindo, nem meus filhos sendo servidos! E é assim que vamos vencer, mudando o comportamento dentro da nossa casa. O homem não sai da casa da mãe, para ser servido pelo esposa, até mesmo porque nem a mãe tem obrigação de servir ao marmanjo, filho homem tem que fazer parte das tarefas sim.

 

Aqui as tarefas são divididas, mas a principal, não! Ela recai totalmente sobre mim, e ela cansa, a de PENSAR, de tomar as decisões, as iniciativas, e determinar o que deve ser feito. Meu marido não foi orientado a cuidar de um lar, ele tem boa vontade, quando solicito, ele atende, mas não parte dele, não foi moldado o comportamento. Por que? São ‘tarefas de mulher’ … Não que ele pense que não deve fazer, mas não foi acostumado, não via a tarefa sendo executada a não ser por mulheres, então não é tão simples tomar a iniciativa, como é pregar um prego, consertar uma torneira. Nossos maridos, não viam os pais, lavando a louça, varrendo, viam as mães. Precisamos quebrar esses estereótipos. Fazer com nossos filhos sejam moldados pelo exemplo, vendo seus pais, realizando as tarefas, orientando de que eles tem de participar, e quem sabe nas próximas gerações as mulheres não precisem deter tantas obrigações.

Não vamos mais aceitar ser tratadas como empregadas, ou governantas, vamos nos impor, não é porque somos mulheres, ou em alguns casos não pagamos as contas, que devemos ser tratadas como inferiores, obrigadas a servir, também merecemos ser servidas, uma troca! Em um dia um cozinha, o outro lava, um estende a roupa, o outro recolhe, cooperação! Vamos esclarecer nossa posição, nos afirmar como iguais, e merecedoras dos mesmos direitos, e os esposos, dos mesmos deveres. Essa é uma questão cultural, mas podemos reescrever, e criar uma nova cultura!

 

Bom mulherada, esse é meu recado de hoje, um assunto que me incomoda bastante, espero que vocês se identifiquem, e que juntas conseguimos mudar essa história. Até a próxima quinta, com o assunto: Minha mãe tem um namorado, e agora?! Beijos e até lá…

 

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