Esse texto é um relato para contar sobre o nascimento do meu filho, Antônio. O nascimento dele foi o dia em que o meu sonho de ser mãe se materializou totalmente, eu sei que não me tornei mãe apenas no dia em que ele nasceu, eu já era desde que descobri a sua existência, mas seu nascimento foi um marco, um dia muito importante, idealizado e esperado, pois seria quando finalmente iríamos nos conhecer “do lado de fora”.

É incrível como a maternidade nos modifica não só fisicamente, mas também emocionalmente, porque desde o início quando eu soube que ele estava sendo formado em meu ventre, eu já me senti mãe e senti um enorme amor por aquele serzinho tão minúsculo que estava crescendo dentro de mim. Ao longo dos meses o bebê e a barriga foram crescendo, meu coração também cresceu, porque o amor aumentava cada vez mais, assim como a ansiedade de ter ele logo em meus braços para poder contemplá-lo e saber como que ele seria.

 Quem me conhece bem sabe que eu sou super a favor do parto normal, que eu gosto bastante de divulgar informações sobre humanização no nascimento independente da vida parto (parto normal ou cesárea) e falar sobre os benefícios do parto normal. Então evidentemente, o parto normal era a minha escolha e a cesárea só seria feita se realmente fosse muito necessário. Durante a gestação tudo ocorreu bem e normalmente, porém na última semana eu tive um aumento da pressão arterial significativo levando a um quadro da Hipertensão de final de gestação, o que fez com que eu fosse internada e assim antecipasse o parto, não podendo mais esperar pelo trabalho de parto espontâneo.

No dia 05 de junho de 2018, fui internada e estava com 39 semanas, realizei alguns exames, estava tudo bem com o Antônio, então no outro dia foi iniciada a indução de parto, a fim de tentar o parto normal primeiro. Foi realizada através de medicação para dilatar o colo do útero, eu comecei com a medicação às 18:00 no dia 6 de junho e por volta das 20:30 eu já estava com 2 cm de dilatação, mas ainda não tinha nenhuma dor. Minha obstetra disse que minha pressão não estava estabilizando mesmo com medicação, daí ela havia pedido para as enfermeiras avaliarem a dilatação novamente às 5h da manhã e se estivesse evoluindo bem continuávamos tentando, caso contrário ela achava melhor ir para a cesárea, porque usar ocitocina para aumentar a dilatação aumentaria ainda mais a dor e por consequência a pressão. Eu entendi e concordei, mas não quis ficar pensando nisso, me concentrei no trabalho de parto que seria durante a noite e madrugada.

Passou um pouco de tempo e eu resolvi descansar, já que ficaria o resto da noite acordada. Mais ou menos às 22:00 eu comecei a sentir uma dorzinha leve, mas já era difícil ficar deitada, então eu pedi para o meu marido que me acompanhasse para eu caminhar nos corredores e ajudar na dilatação. As contrações tinham começado, mas ainda estavam bem espaçadas e irregulares e eu não conseguia distinguir o bem o início e o final delas. Depois de caminhar por um tempo e subir/descer algumas escadas resolvi dizer que meu marido poderia voltar para o quarto e descansar, já que a minha dor ainda não estava muito forte e quando piorasse eu chamaria ele.

Eu fiquei caminhando no corredor da maternidade com fones de ouvido, escutando a playlist que tinha preparado para o parto, conversando com o Antônio, passando a mão na barriga, me concentrando na respiração e orando a Deus por tudo que viria dali para frente. As dores foram aumentando até que eu chamei meu marido, pedi para ele falar com a equipe de enfermagem para ver se tinha algum lugar onde eu pudesse ficar, já que o meu quarto era semi-privativo e tinha outro casal lá, então eu não queria ficar passando dor e atrapalhando eles de dormirem. Foi dito que a sala de parto era só a partir de 6 cm de dilatação e como eu estava ainda no início de trabalho parto não poderia ir para lá, mas disponibilizaram a sala de avaliação para que eu pudesse ficar lá e deram também uma bola suíça para que eu pudesse usar.

Eu sentei na bola, comecei a fazer exercícios que ajudavam a aliviar um pouco a dor e ser mais fácil de passar as contrações, também usei técnicas de respiração e em alguns momentos meu marido massageava minha lombar, eu deixei a luz apagada e a porta entre-aberta para entrar somente a luz do corredor. Logo que cheguei ali ainda consegui continuar ouvindo as músicas, mas quando as contrações já estavam bem definidas e mais próximas eu pedi para que o William me ajudasse a cronometrar e eu só conseguia ficar de olhos fechados, respirar e me movimentar na bola. Quando já fazia um certo tempo que elas estavam em um padrão de mais ou menos 1 minuto de duração com 3 minutos de intervalo, eu pedi que William fosse avisar a equipe de enfermagem, era mais ou menos umas 3:30, demorou um pouco até alguém vir, mas quando vieram só mediram a minha pressão e os batimentos do bebê e falaram que a dilatação seria às 5h como a Dra. havia pedido.

Quando estava próximo da avaliação a dor já estava bem forte, eu já havia chorado, já havia vocalizado, já tinha usado todas as técnicas que sabia, já tinha até dito que nunca mais queria ter filhos depois deste. Tudo isso, me levou a crer que a dilatação estava avançada, o que mantinha minha esperança. Conversei com o William e disse que se estivesse próximo pelo menos a 6-7 cm eu poderia pedir analgesia de parto e prosseguir, mas que se tivesse pouca dilatação eu não iria mais aguentar e como minha dor já era grande e usar ocitocina a médica já não tinha recomendado, eu iria para cesárea.

Eu fui avaliada e estava com 3 cm de dilatação, minha pressão continuava alta e os batimentos do Antônio a partir daquele momento começaram a baixar e não se recuperar mais após as contrações, então nessa hora eu vi que teria que partir para cirurgia, pois eu só tinha aumentado um centímetro de dilatação em 8 horas, ou seja, demoraria muito mais tempo até chegar na dilatação total e eu já estava extremamente desgastada, o Antônio com os batimentos começando a baixar e por mais que eu tivesse me preparado muito e estudado durante a gravidez, ouvir os batimentos dele espaçados e diminuindo, foi um tanto desesperador. Assim, a enfermeira obstetra que me avaliou foi ligar para minha médica e avisar como estava meu quadro e pedir para ela vir para o hospital.

A enfermeira voltou, avisou que a cesárea iniciaria às 6:10 e pediu para eu me preparar, eram 5:40, eu abracei o meu marido chorei pelo meu parto sonhado que eu não iria ter, mesmo sabendo que naquele momento eu tive que escolher pela cirurgia e como foi de emergência, não daria tempo para a pediatra que eu tinha escolhido chegar, então foi chamado outro profissional. O William foi pegar algumas coisas minhas que precisaria e avisar meus pais, enquanto isso eu fui me preparando, trocando de roupa e respondendo alguns questionamentos e assinando papéis.

Cheguei no centro cirúrgico, o anestesista me explicou sobre como seria anestesia e esperou passar a minha contração para aplicar, eu fui deitada e meu marido entrou na sala. Eu me senti muito mole após fazer efeito a anestesia, pois estava extremamente cansada por ter passado a noite em claro e com dor.

Finalmente, às 6:35 do dia 07 de junho de 2018 o Antônio nasceu, com 3.105 kg e 50 cm, eu olhei para ele, um tempo depois ele abriu os olhinhos e ficou me olhando, ali eu conheci o amor incondicional de mãe, me apaixonei mais ainda por ele, chorei tanto de emoção, alegria, felicidade e gratidão a Deus!!!

Meu coração transbordou de amor por finalmente poder ver meu filho! Logo ele foi levado para pesar e medir, trouxeram ele de volta enroladinho para ficar mais um pouco comigo e tirar algumas fotos e em seguida foi levado de novo para mais procedimentos, enquanto eu estava sendo suturada.

Nessa hora eu chorei muito, estava me sentindo frágil e só queria ficar ali curtindo o momento com ele. Eu pedi que o William ficasse com ele em todo durante os procedimentos.

Quando eu cheguei na sala de recuperação já fazia exatamente uma hora que ele tinha nascido,  passou um tempo o William e o Antônio chegaram para ficar comigo e finalmente eu pude pegar meu bebê direito, amamenta-lo e admirá-lo! Eu ficava olhando para ele maravilhada, contemplando e dizendo o quanto ele era lindo e perfeito, eu só sabia chorar por finalmente conhecer meu bebê, ter ele em meus braços!

Depois de sermos liberados da sala de recuperação fomos para o quarto e descansamos juntinhos, agarradinhos (até as visitas chegarem hehehe).

No dia seguinte, recebemos alta e após o almoço fomos para nossa casinha, depois de 4 dias no hospital!

Vou parando por aqui, essa foi a parte “mais bonita” e é a isso que eu quero me apegar e lembrar. Mas, no próximo texto eu contarei como foi meu puerpério, minha recuperação da cirurgia e como eu me senti por não ter tido o parto que idealizei.

Bem vindo meu novo ser

Cercado de proteção

De tanto amor tanta paz
Dentro do meu coração

É como se eu tivesse
Esperado toda vida pra te embalar
É como se eu tivesse
Esperado toda vida pra te embalar

Bem vindo meu novo ser…”

 

(Música Reconhecimento – Isadora Canto)

 

 

2 Comentários
  1. Camila Freitas 3 meses atrás

    Aiii Jéssica, chorei lendo, eu tenho essa mania de ler com tanta intensidade que parece que estou vivendo aquilo. Louca pelo próximo texto! 🙂

    • Autor

      Que bom que gostou e que te emocionou, Camila!!! como uma boa apaixonada por livros, vc mergulha mesmo na história hehehe Bjos, obrigada pelo comentário!

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