O ano começou, mas preciso dividir contigo mais essa linda história de muito companheirismo que ficará pra sempre em minha memória.

Foi em agosto de 2004 quando eu resolvi que ia focar e passar no tal do vestibular, não foi um período fácil, foi preciso muita determinação e algumas decisões importantes precisaram ser tomadas para que a minha cabeça ficasse livre para os estudos. Na verdade mesmo, eu estava curtindo a vida adoidada, mas a realidade era dura e eu precisava cair na real. Com uma ajudinha da mamãe eu fui morar na casa da minha tia e a partir daí consegui regrar e caminhar rumo ao tão sofrido quarto ano de vestibular.

Foi um ano difícil, bem difícil, tipo… tudo ou nada. Era passar ou abandonar meus sonhos. Bueno, cresci, foquei e logo depois de ter conquistado a minha vaga no tão sonhado vestibular, era hora de voltar para casa, foi nessa hora que a minha mãe teve uma super ideia, é, a minha mãe… aquela que fez questão que eu me mudasse de casa, para dar prioridade aos estudos. Ela queria que eu voltasse pra casa e para estreitar nossos laços novamente… ela compro um cachorro. Eu morava no quarto da casa da minha tia, que não tinha cachorro, por opção dela. Ai já dá pra imaginar a confusão. Até tentei manter nós duas (eu e o cachorro) no quarto por uns dias, mas não deu. Ela chorava de noite e fazia coco e xixi no carpete de dia, jesus.

Ok, mais uma vez a dona Margarét venceu, liguei para uma amiga e ela prontamente me buscou e fomos de volta para a casa da mãe, de mala, cuia e cachorro.

Mal sabia eu que o tal cachorro dessa história se tornaria a minha companheira, a minha parceira a minha família. Nessa época minha mãe já estava doente a uns 5 anos e os tempos eram difíceis. A cada quimioterapia os efeitos colaterais eram piores e eu já na faculdade retornava para casa à tardinha e quem estava ao lado da minha mãe, sim…o cachorro que carinhosamente demos no nome de Paulinha. Ela era incansável. Os médicos eram apaixonados por ela, na verdade não havia quem não a amasse. A pinscher mais amada da face da terra, só latia quando via um gato, seus maiores rivais, sim, eles eram grandes e ainda subiam no muro, ela não.

Paulinha acompanhou até o fim a vida da minha mãe, a quem ela escolheu como dona, respeitava ela e ainda dava todo o carinho que ela merecia. Nos últimos dias, nada a alegrava então os médicos sugeriram que eu levasse a Paulinha no estacionamento do Hospital para que minha mãe a pudesse ver, já eram vários dias no hospital, E eu levei, até o dia em que ela pediu que não levasse mais, ela sabia que não voltaria mais pra casa, pra nossa casa.

Passado o pior, a morte da minha mãe, foi aquele bichinho tão pequeno de um quilo e duzentas gramas, pelagem marrom e muito amor para dar que transformou minha casa em um lar. Ela foi a minha companheira, a minha parceira, a minha Paulinha.

Entre as amigas costumávamos dizer que se a Paulinha falasse nós teríamos que matá-la, tal nível era o companheirismo do bichinho.

Ela conquistou seu espaço no meu coração e no coração de todos que estavam a sua volta, e não eram poucos que não gostavam de cachorro, mas a Paulinha era especial.

Por ela voltava pra casa todos os dias, mesmo sabendo que a casa estava vazia, éramos apenas eu e ela. Ela transformou minha casa em um lar novamente e encheu a minha vida de alegria em todos os momentos, na boa e na ruim, ela foi minha companhia e minha companheira, sem julgamentos, sem interesses, apenas amor.

Foram 14 anos de convivência, cumplicidade e muito, muito amor.

Nestas férias eu voltei pra casa e não tinha xixi no chão, nem lixo revirado, nem cheiro de cachorro na casa, nem o teu rabinho balançando e pedindo carinho que eu por pressa, muitas vezes nem conseguia dar direito, Fica sempre um sentimento de que podia ter amado mais, brincado mais, aproveitado mais.

Eu só tenho a agradecer por todo o amor que recebi. Gratidão por ter você comigo.

Ela morreu no dia 06 de dezembro depois de uma cirurgia para retirada de um corpo estranho que ela havia ingerido.

 “Aninais vivem menos porque já nasceram sabendo amar como nós nunca vamos aprender”

 

1 Comentário
  1. Camila Freitas 10 meses atrás

    Oiiinnn 🙁
    Que história linda Taís ela com certeza ta te cuidando de lá de cima.
    Beijão!

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