Hoje, dia das crianças quero abordar sobre um assunto complicado, difícil, mas muito importante. Como ficam os filhos de lares em que a violência está presente. Como se sentem as crianças que assistem diariamente a mãe ser agredida, seja física ou psicologicamente. Essas crianças também são vítimas da violência contra a mulher, e podem ser muito mais prejudicadas dos que as próprias mães. Os adultos são o resultado da forma como são criados.
Como já relatei em outro texto, sou sobrevivente, de um lar desfeito. Por muitas vezes assisti coisas, que se fosse possível, se coubesse a mim, nenhuma criança presenciaria. Até hoje, tenho sérias sequelas psicológicas, traumas e medos. Coisas que gostaria de me esquecer, e que voltam a minha mente de forma recorrente, como um fantasma, que insiste a me assombrar. Só que resolvi ser mais forte que o fantasma, e não permitir que ele me paralise. Então estou abrindo a casa e deixando a luz entrar, mas para isso, tenho que espantar tudo o que me prende a ele. Então ao invés de me lamentar, e sofrer, resolvi que vou usar tudo o que me atormenta, para ajudar outras crianças, adultos, todas as vítimas, resultantes de situações semelhantes a minha.
O meio em que vivemos, que somos criados, interfere diretamente no que vamos nos tornar no futuro, mas existe o livre arbítrio, e podemos escolher de que forma isso vai nos atingir. Não significa que uma criança que cresceu em um lar violento será violenta. Cada indivíduo tem suas características, e particularidades, que não seguem a nenhuma regra. Existem aqueles que ao assistir os pais sendo violentos, acabam reagindo da mesma forma, refletindo isso em suas atitudes com as outras pessoa, podendo ser observado na escola, com os amiguinhos, e no âmbito familiar. Outras crianças se tornam tímidas, introspectivas e arredias. Enquanto outras são assustadas, nervosas e ansiosas.
Me encaixo no último grupo, carrego a ansiedade até hoje. Uma vez o clima estava tão tenso dentro da minha casa, e eu com apenas oito anos de idade, já sabia o que estava acontecendo, qualquer movimento em falso, seria o necessário para uma verdadeira explosão. Então, eu, criança, estava com meus nervos à flor da pele, completamente alerta a qualquer mudança repentina, e um pequeno tapa na parede, sem nenhuma relação com o que estava acontecendo, o barulho, foi o estopim para que eu rompesse em lagrimas desesperadas. Eu estava tão tensa, e em total estado de pânico, que me desiquilibrei. E dessa forma eu cresci, com medo, alerta e tensa.
Quando pequena, eu dizia que nunca iria me casar, claro, com que com o modelo que eu tinha, não conseguia enxergar como algo bom. Mas os anos passaram, eu cresci, amadureci, e observei, outros casais, pessoas da família, pais de amigas… Tudo o que vivi, tudo o que presenciei, me machucou muito, tenho marcas profundas que vou carregar para o resto da minha vida. Mas eu resolvi que ia fazer diferente, que usaria tudo que vivi, como exemplo, de como não proceder. Hoje sou casada, e tenho uma relação em que nada se parece com aquela que estava acostumada, temos nossos desentendimentos, que procuramos resolver da melhor forma possível. Ainda não tenho meus filhos, o dia que os tiver, pretendo preserva-los dos problemas dos adultos, das coisas do casal, que eles não tem alcance, e nem necessidade, de entender na infância.
Só que infelizmente, nem todos somos iguais, é muitos acabam seguindo o exemplo, por assim dizer, e seguem disseminando a violência. Precisamos cuidar destas crianças, estar alertas aos pequenos sinais, e oferecer apoio, ajuda. Existem órgãos competentes, que podemos procurar, denunciar, e solicitar amparo. Não podemos cruzar os braços para este problema, não podemos permitir que o ciclo da violência siga se renovando ao nosso redor. Fazer de conta que não está vendo, ou que o problema não é seu, está errado. Estas crianças podem estar gritando silenciosamente por socorro, e podemos ser responsáveis, indiretamente, de uma tragédia, por omissão. É muito triste quando quem mais deveria preservar a criança, não mede seus atos na sua presença, tenhamos cuidado com nossos filhos, afilhados e sobrinhos, não vamos permitir que sua infância seja roubada, que elas se obriguem a amadurecer de forma prematura. Devemos tentar manter sua inocência, e pureza pelo maior tempo possível, isso faz parte do processo de formação, do contrário resultam muitas lacunas, que irão ser prejudiciais, lá na frente, na vida adulta.
Bom mulherada, contei aqui um pouquinho sobre mim, sobre o que vivi, e estou pedindo ajuda, para que não deixemos mais crianças passarem pelo que passei, e que muitas ainda passam todos os dias.  Mamães, professoras, médicas… Todas, estejam alertas!
Fico por aqui, volto na próxima quinta. Vou aproveitar o outubro rosa, mês de conscientização da prevenção do câncer de mama, e vou contar para vocês uma situação que aconteceu comigo. Beijos…
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