No próximo mês completam nove anos que vim morar em Santa Maria, e nove anos que não moro mais na mesma casa, e nem na mesma cidade que a minha mãe. A distância não é muito grande, ainda mais no mundo globalizado e tecnológico em que estamos vivendo atualmente. Mas não nos vemos com muita frequência, uma média de oito vezes por ano. E não nos falamos diariamente, mas pelo menos uma vez por semana.

Muitos pensariam que não somos próximas por isso, mas muito pelo contrário, nossa relação é tão sólida, tão estável que não existe a necessidade de afirmação diária, podemos ficar muito tempo sem nos comunicarmos, sem que nossa relação seja abalada. Isso porque nossa base é a confiança, cumplicidade, e respeito pelo espaço uma da outra. As coisas são tão verdadeiras e sinceras entre nós, que a distância é apenas um detalhe de espaço físico mesmo, nossa proximidade ultrapassa as barreiras geográficas.

Desde que eu era muito pequena, devido a situação em que vivíamos, aprendemos a nos unir, entendemos que seria questão de sobrevivência. Nossa cumplicidade é tanta, que dispensa palavras, nos entendemos apenas com olhares, suspiros e trejeitos. Muitas vezes isso nos livrou se situações difíceis, em que precisamos depender única e exclusivamente da nossa capacidade de entendimento e percepção uma da outra.

Hoje podemos dizer que vencemos, que juntas conseguimos deixar para trás uma vida que nos anulava, em que não tínhamos muitas escolhas e vontades. E conquistamos uma vida plena, cheia de realizações e pessoas especiais. Com apoio mutuo, amor, resignação e fé. Mas tudo o que vivemos, por mais que tenha sido difícil, foi o que fortaleceu e construiu toda essa intimidade, nós usamos das diversidades para darmos e volta por cima, e talvez se não fosse por tudo o que batalhamos, não daríamos valor a tudo o que temos hoje, a começar pela nossa amizade. Sim, amizade, é isso que temos, conversamos sobre praticamente tudo, não temos segredos, até mesmo porque, como nossa comunicação ultrapassa a fala, não conseguimos esconder muitas coisas uma da outra, a fisionomia nos entrega, e mesmo quando a conversa, e pelo whatssap, percebemos quando uma está omitindo algo.

É claro que não são só flores, que temos nossos perrengues, desentendimentos, principalmente quando ficamos muitos dias juntas, risos, somos duas pessoas, que com tudo o que já passamos, nos tornamos mulheres de personalidades fortes, e de opinião muito formada. Sabemos exatamente, o que queremos, e do que gostamos, e não aceitamos imposições. Isso é muito bom, mas algumas vezes gera conflitos. Mas como já disse, nossa relação é muito sólida, então facilmente conseguimos driblar estas pequenas rusgas.

Quem nunca pensou, eu quero a minha mãe, como uma criança, que ralou o joelho, e sai correndo, pedindo colo? E mesmo aos vinte e nove anos, tem vezes que o chão some, que o fardo parece muito pesado, e fazendo aquele beiço, com o rosto lavado em lagrimas, é dela que me lembro, é dela que preciso, e para ela que eu corro, no caso ligo, ou chamo no whats. Parece que só ela me acalma, me entende, escuta… Só ela vai saber o que eu preciso, e sabe o que, e como deve me falar, mesmo que precise me dizer: ‘Olha, dessa vez não vou poder passar a mão na tua cabeça, tu está errada…’. Ou quando ela me manda dormir, que eu já gastei tanto tempo e energia, tentando resolver algo, que já estou praticamente andando em círculos, e com toda a sua sabedoria fala: ‘Nada melhor do que um dia após o outro, com uma noite no meio.’ ‘O travesseiro é um grande conselheiro’.

Mãe, eu sei que tu está lendo, já que mãe é mãe, e eu poderia escrever qualquer bobagem aqui que tu iria prestigiar, apoiar. Então quero primeiro te dizer obrigada, por ser minha mãe, por todas as noites que te privei, por todas as vezes que te decepcionei, e mesmo assim, tu continuar acreditando em mim, por me mostrar o que é certo, por me ensinar a ter fé, a confiar em Deus, e que ele é soberano em nossas vidas. E que eu te amo muito, por mais que eu não fale, que eu pareça distante e fria, eu não sei o que teria sido de mim, e o que seria hoje se não fosse tu, com essa paciência, e benevolência infinitas.

Bom mulherada, termino meu texto aqui, em lágrimas, espero que tenha tocado, que se identifiquem, e que construam com as suas filhas uma relação assim, como a minha e da minha mãe. Eu ando envolvida em alguns projetos, e vou ter que puxar um pouco o freio de mão com o blog, então não vou mais postar nas segundas, apenas nas quintas.

Então era isso, beijos, e até a próxima quinta, voltando com o tema da violência contra mulher.

1 Comentário
  1. Bruna Oz 3 semanas atrás

    Estou lendo atrasada…Mas quero te dizer que me emocionei e tenho muito carinho e respeito por minha mãe e ainda moro com ela e estou aproveitando cada momento…Lindo texto!!

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