“No dia em que saí de casa minha mãe me disse filho vem cá…” sim, bem clichê! Zezé de Camargo e Luciano… Essa música, sem entrar em méritos de gosto musical, ela retrata a história de muitas pessoas, a minha com certeza se encaixa. Fazem nove anos que saí de casa, com um curso técnico, uma mala, e muitos sonhos. Uma vontade inexplicável de provar que eu podia, que eu conseguiria. Provar para mim, para o mundo, que eu iria ser alguém.

Nos meus outros textos abordei bastante sobre a infância difícil, crescer no ambiente violento, e sobre como eu sempre tive vontade de mudar tudo. Eu tentei, tentei transformar o meio onde vivia, mas não consegui, desisti, e percebi, que não podia mudar a vida dos outros, que só podia mudar a minha, e quem sabe vencendo, mostrar que uma nova vida seria possível, daí sim mudaria a vida de quem amo, e gostaria muito de ver feliz. Tudo o que passei serviu para me fazer muito forte, para me tornar alguém que não desiste fácil do que quer. Entendi que a vida que eu almejava, só eu poderia me proporcionar, que eu teria que buscar por isso por mim mesma, sem esperar pelos outros. Hoje, nove anos depois, olho para trás e vejo como as peças se encaixaram, como os passos pareciam programados, e não consigo deixar de acreditar, e agradecer, foi Deus que conduziu meu caminho, Ele esteve comigo o tempo todo, mas para Ele poder operar nas nossas vidas, precisamos aceitar, precisamos segurar na mão Dele e dizer, vai, me leva, sei que sabe o que é melhor para mim… Precisamos fazer a nossa parte, e ter muita fé!

Minha história é muito doida, mas como falei, Deus esteve no comando. Eu morava em Porto Alegre, quem que mora na capital vai querer se mudar para o interior? Pois é, em busca de uma nova vida, eu fiz o caminho inverso da maioria. Meu relacionamento dentro de casa já vinha ruim, eu estava muito infeliz, e queria muito dar uma virada, minha mãe me convenceu a esperar até eu concluir meu curso, e assim eu fiz. No meio do ano de 2008, meus avós paternos comemoraram Bodas de Ouro, foi uma festa linda, e muito grande, nessa festa, conheci um primo, distante, e sabe como é… Trocamos MSN, Orkut, sim naquele tempo! Ele morava aqui em Santa Maria, em muitas madrugadas de conversa, uns três encontros, ele me ‘convidou’ para vir morar no Coração do Rio Grande, ele nunca achou que eu levaria a sério! E eu desesperada, com a ideia fixa de sair de casa na cabeça, me agarrei a ideia com todas as forças. Como um naufrago se agarra a uma boia.

E lá fui eu pesquisar lugares onde poderia trabalhar, liguei acredito que para mais da metade dos laboratórios de prótese da cidade. E nesse momento que eu digo, que tem a mão de Deus, quem iria contratar alguém desconhecida, por telefone? E aconteceu, consegui uma chance de vir a cidade para fazer uma experiência, eu não sabia nada, totalmente crua, o dono do laboratório, entendeu que eu já trabalhava! Ele precisava de alguém mais experiente, mas graças a um tal de Pablo Moraes Vargas, que fez o trabalho de convencimento, ele me deu uma oportunidade, resolveu me treinar. E não foi fácil, foi um desafio para mim e para ele, e Deus, sabem, ah como eu acredito que ele ajudou. E foi assim que conheci, o colega Pablo, aquele que me dava carona, que me escutava, já falo nele… Emprego: ok!

Voltando ao primo… Ele não acreditava que eu vinha, mas não dá para culpar, tem que ser muito doida né?! Vim morar dentro da casa do pai dele, os parentes que eu tinha na cidade. E chegando aqui descubro, ele tem namorada! Outra pessoa, teria pego a malinha e o resto de dignidade e ido embora, mas ele foi uma desculpa, um pretexto, meu objetivo era muito maior, eu não podia voltar derrotada. Chorei, me humilhei, tentei que ficássemos juntos, mas nunca foi de verdade, nunca existiu amor, eu me agarrei na ideia como se fosse minha salvação. Mas ele era um detalhe, eu já estava na cidade, já tinha emprego, eu só precisava fazer acontecer. Morei durante três meses na casa dos meus parentes, acho que nada do que eu diga, vai realmente descrever o quanto sou grata, por tudo o que fizeram por mim, praticamente uma estranha. Me deram casa, comida, tudo, não tenho nada para reclamar, e nunca vou conseguir agradecer como merecem. Depois desse período, já estava mais concreta a ideia de que eu ficaria na cidade, estava me saindo bem no emprego. E já existia o Pablo… Ah o Pablo!

O Pablo já trabalhava no laboratório onde vim trabalhar, e trabalho até hoje, nos conhecemos no serviço, ele sempre muito atencioso, muito prestativo… E eu com o coração em cacos… Desacreditada da raça masculina, e ele foi indo, me cobrindo de gentilezas, me fazendo voltar a ter fé em um relacionamento, coisa que eu já achava impossível! Teve paciência, e muita persistência. Foi muito importante e decisivo na minha permanência na cidade, me levantou todas as vezes que eu quis desistir, me aconselhou, e principalmente, amou! Ah como eu precisava dele, e nem sabia. Mais uma vez Deus! Quem diria, a guria da capital, com o bagual do Alegrete, quantos quilômetros nos separavam, e nos achamos, nos reencontramos! Hoje temos uma união linda, firmada na confiança e no respeito. E as peças se encaixaram, e juntos já conquistamos tanto, e tenho certeza de que ainda vamos muito mais longe, somos uma dupla infalível! Não vou pregar aqui um conto de fadas, temos nossos desentendimentos, mas quem não tem? Também temos cumplicidade de sobra para superar.

Meu pai alugou um apartamento de um quarto, mobilhou com o básico, e naquele momento, naquele lugar pequeno, eu era a pessoa mais feliz do mundo, eu estava começando minha vida, e eu tinha muita vontade de fazer das certo. O Pablo ir morar comigo foi questão de tempo, muito pouco tempo, em seguida estávamos construindo sonhos, conquistando nossa casa. Não foi fácil, não é fácil, já passamos por crise financeira, já compramos nossa casa, ficamos sem carro, compramos o carro do sonhos, nunca nos endividamos, mas conquistamos grande parte das coisas que queríamos … Sempre batalhando, sempre buscando juntos por uma vida melhor! Hoje temos uma vida bastante confortável, mas isso não significa que vamos nos acomodar, vamos seguir lutando por uma vida cada vez melhor.

Sair de casa, pode parecer assustador, no meu caso assustador teria sido ficar. Mas se tem algo que eu digo é que vale a pena, nada como se ter seu canto, sua independência. Construir seu futuro, e poder se orgulhar disso. É muito importante para crescermos como pessoa, não depender mais, ser responsável por si! Pagar suas contas, lavar sua roupa, pode parecer pouco, mas é uma sensação indescritível. Tem horas que cansa, que dá vontade de correr para o colo da mãe, mas a liberdade de chegar na casa da gente, não tem preço! Faz parte do processo, crescer tem seus percalços, mas tem muitas glórias!

Bom mulherada, ficou por aqui, até quinta que vem, voltando com o tema da violência contra mulher! Beijos…

Ps.: Fotinho péssima de qualidade, mas é a nossa primeira juntos!

 

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