Escrever esse texto não é uma tarefa fácil, afinal de contas, ninguém gosta de enfrentar seus fantasmas, seus defeitos, mas faz algum tempo que eu resolvi escancarar as portas da casa mal assombrada que era o meu íntimo, e junto com meus traumas, tem os meus defeitos, e por que não abordar eles também? Em algum momento da sua vida, você se sentiu em dúvida quanto as suas atitudes? As coisas que falou? Sentiu que exagerou? Que ao invés de ser a vítima, foi quem magoou? Sobre isso que quero abordar hoje, sobre a importância de fazermos essa análise, de admitir quando estamos errados. Pensar se não permitimos que as pessoas agissem de determinada forma, ou até quem sabe provocamos um comportamento desagradável de alguém.

É pertinente do ser humano, enxergar com mais facilidade os erros e defeitos dos outros, do que os nossos, apontar nos outros coisas que nos desagradam, e que por muitas vezes não nos damos conta de que nos comportamos igual, ou até pior. É claro, que tudo depende de uma questão de caráter, de criação, de costumes, algumas coisas que me desagradam, podem não ser tão irritantes aos olhos de outra pessoa, ou atitudes que me magoam, talvez sejam encaradas de forma menos ofensiva. Tendemos a nos colocar na posição de vítima, de injustiçadas, logo cortamos relações com as pessoas, criamos situações desagradáveis nos nossos meios, na família, no trabalho, entre os amigos, criando um ambiente constrangedor, e pesado para todos que estão indiretamente ligados com o conflito.

Eu também tenho essa tendência, não vim aqui dar lição de moral, muito pelo contrário, baseada nas minha experiências, estou aqui relatando tudo isso, tentando me modificar, conforme vou desenvolvendo esse texto, pelo menos um pouco, e assim, aos poucos me tornando alguém melhor, mais tolerante, e mais agradável, para mim, e para os que me rodeiam. Muitas vezes me magoei, me irritei com as pessoas e me coloquei no status de detentora da razão, de que os outros estavam errados, e eu certa, e pronto. Cortava relações, e só sabia falar mal e criticar o alvo da minha irá. Em momento algum me colocava no lugar do outro, e jamais admitia a possibilidade de ter que voltar atrás e pedir perdão. Resultado, uma pessoa amarga, intransigente, depressiva e sozinha, também não poderia ser diferente! Ou acabava por repetir com os outros, algo que me fizeram e eu não gostei, se me xingavam, eu xingava o próximo que cruzada no meu caminho, e assim também era, quando me destratavam, humilhavam, como se fazendo com os outros eu transferisse a minha dor, me sentia forte outra vez. Permitia que o comportamento dos outros influenciasse nas minha atitudes.

Acredito que com o passar dos anos, com o amadurecimento, com a busca por me espiritualizar cada vez mais, e com as várias quedas que sofri, eu fui me modificando, fui criando consciência do monstrinho que estava me tornando. Percebi que afastava as pessoas, e não conseguia me encaixar em lugar algum, estava sempre sobrando. Fiz muita terapia, faço até hoje, e percebi que não eram os outros que estavam errados, era eu que precisava me modificar. Entendi que não sou perfeita, e não preciso ser. Até mesmo quando os outros realmente estão errados, eu precisava modificar a minha forma de enxergar isso, e de como encarar, e lidar. A tarefa não é fácil, é diária, preciso me policiar o tempo todo, e por muitas vezes eu fracasso. Mas a cada dia eu evoluo, e hoje os que me rodeiam, e não desistiram de mim, já podem notar, e me falam o quanto eu melhorei como pessoa.

De uns tempos para cá, quando eu tenho algum desentendimento, uma briga, ou alguém faz algo que me machuca, não vou negar que muitas vezes, dependendo da intensidade do ocorrido, num primeiro momento eu me permito, ou de forma inconsciente também, extravaso a minha raiva, choro e digo o quanto sou injustiçada, afinal, velhos costumes não se mudam assim de uma hora para outra. Mas quando consigo serenar meus pensamentos, consigo enxergar com mais clareza, paro, organizo na minha mente o fato, repasso diálogos, tento ver remotamente, como se eu não fizesse parte, procuro me colocar no lugar do outro, entender o que o levou a agir assim. Claro, que tenho a tendência de sempre puxar a brasa para o meu assado, sempre procurar uma forma de justificar, de provar que eu esteja certa. As vezes levo dias remoendo. Muitas vezes eu percebo que estou muito errada, que não tinha o direito de agir como agi, e procuro me redimir, e não repetir. Em outras vezes tenho certeza de que errei, mas não tenho a humildade de me desculpar. Já em outras situações constato que estou certa, mas que isso não me dá o direito de julgar o outro, afinal, eu também erro, entendo que o que a pessoa fez, foi ela que fez, e que a mim cabe aceitar ou não, que posso simplesmente não pegar para mim e seguir meu caminho e deixar a pessoa com as suas magoas, insatisfações, rancores, seja o que for, aquilo não me pertence. Agora, tem aquelas vezes que eu degringolo de vez, esqueço tudo o que já disse, rodo a baiana, e pronto, boto os pés pelas mãos, não admito a possibilidade de que a errada sou eu.

O importante, por mais que a gente erre, é ter consciência disso, é enxergar que precisamos nos modificar, corrigir em nós primeiro, aquele defeito que vemos no outro, é olhar lá trás e pensar, nossa que feio, mas eu posso fazer diferente, eu posso ser melhor. Ninguém está acima do bem ou do mal, e todos nós temos todos os dias a oportunidade de fazer melhor, de fazer diferente, de nos aproximarmos cada vez mais da pessoa que queremos que os outros sejam. Vamos nos policiar, e começando por nós, pelo nosso melhoramento, pela nossa evolução, construir um mundo melhor, uma sociedade mais justa. Eu estou tentando, muitas vezes eu tropeço, mas me levanto e digo, que feio… E tento não repetir. Outras vezes me pego julgando o outro, mas deixa o outro, se não te agrada, te afasta, ignora. Cuidemos mais de nós, vigiemos nossos pensamentos, e nossas atitudes. Vamos admitir nossos erros, nossas fraquezas, e corrigi-las.

Bom mulherada, esse texto foi muito difícil de escrever, mas ao mesmo tempo libertador, espero que toque vocês. Um grande beijo, e até a próxima quinta, dia de violência contra mulher.

1 Comentário
  1. Camila Freitas 8 meses atrás

    Ótimo texto Dani, precisamos aprender a conviver com pessoas que pensam diferente e respeitar, como tu falou, se não agrada, se afastar é o melhor caminho. Beijo!

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