Ainda em clima de dia dos namorados, quero escrever um texto sobre o amor. Mas não aquele amor, que nos destrói, que faz sermos diferentes do que realmente somos… Aquela pessoa que nos idealiza, e que nos faz ser a projeção do que eles almejam. Não, nada disso, eu quero falar sobre o amor leve, aquele amor que nos completa, compreende, aceita, acrescenta. Sem cobranças, desconfianças, medos, inseguranças. Onde nós somos livres, e essa liberdade, essa transparência, nos faz ficar, ter vontade de estar, e não se sentir obrigada a ficar. O amor puro, limpo de preconceitos, traumas, e exigências. Quando ele acontece, e não é forçado a acontecer. O acreditar é o que te basta, sem necessidades de provas, e abdicações.

 

Eu já vivi paixões avassaladoras, aquelas de tirar do prumo, que me fizeram perder a cabeça, e cometer as maiores loucuras. O frisson momentâneo do início, foi bom, gostoso, aquele friozinho na barriga, o coração disparado, as descobertas. Claro, que como me casei muito cedo, eu vivi isso na adolescência, então tudo era potencializado, nessa fase tudo é muito maior! Mas esses ‘amores’, que hoje vejo que não foram amores, enfim, eles me levaram a autodestruição, eu fiz coisas horríveis, para mim mesma, das quais não me orgulho nem um pouco. Me machuquei, me humilhei, me forcei a coisas, situações e pessoas, quis ser aceita a qualquer custo, me submeti a situações que não concordava, que estavam fora dos meus valores, e daquilo que considero certo, ou errado. Prejudiquei minha saúde, fui vulgar algumas vezes, fiz coisas ridículas, e vergonhosas. Eu tentava ser aquilo que acreditava que agradaria, não pensava em mim, não me valorizava, não pensava no que eu queria, no que eu gostava, jamais me colocava em primeiro lugar.

 

Só que não me arrependo das coisas que fiz, e que vivi. Através desses relacionamentos destrutivos, eu me conheci, eu determinei meus limites, as coisas que eu realmente gostava e necessitava, e até que ponto eu poderia ir. Aprendi a me amar, a me valorizar. Eu cresci, amadureci! Talvez não fosse necessário ter vivido certas coisas, mas aconteceram, estão lá no passado, e fazem parte do que sou hoje, e eu me orgulho do que sou hoje, e do relacionamento que tenho, que construí com meu marido. Errar, cometer loucuras, por ‘amor’, são aceitáveis, até mesmo louváveis, dentro dos limites, sendo que não te prejudiquem, ou prejudique outras pessoas, e mesmo quando isso acontece, é até perdoável, só não pode virar costume, ciclo vicioso, ou até mesmo ser motivo de desculpa, para cometer as maiores insanidades. Precisamos evoluir, e aprender que o maior, e mais verdadeiro amor sempre tende de ser o amor próprio, não existe amor que supere, não pode existir. O segredo para um relacionamento saudável, é quando ambos os envolvidos, amam a si próprios em primeiro lugar.

 

Quando eu conheci o Pablo, eu vinha muito machucada dos meus relacionamentos anteriores, ressabiada, e descrente do amor, que na verdade eu ainda não tinha conhecido. Tanto que quando ele aconteceu, eu demorei para perceber que estava me apaixonando, ele chegou tão suave, tão leve, que quando eu percebi já estava submersa nele, mas não me sufocava, pelo contrário, me fez respirar mais fácil, com tranquilidade. Me senti plena, completa, e naquele momento, entendi tudo o que eu estava procurando, mas que eu não fazia ideia do que era. Foi rápido, não vou dizer que foi com calma, as coisas aconteceram muito rápidas entre nós, mas foram acontecendo sem pressão, com naturalidade. Eu não me senti forçada a nada, não me forcei, não fingi ser o que não era. Nossa relacionamento foi acontecendo, se fortalecendo. Eu tinha muitos problemas mal resolvidos, eu era, e sou ainda, uma pessoa nada fácil, e o Pablo aceitou o pacote todo, ele me amou como eu realmente sou, e foi muito importante na minha recuperação. Nós sabíamos de todos os defeitos, de todas as coisas erradas que tínhamos feito, sabíamos o quanto tínhamos magoado outras pessoas, de tudo o que precisaríamos encarar pela frente, mas existiu sempre uma certeza, de que naquele momento era diferente, que tudo o que tinha acontecido, tinha ficado para trás, que dessa vez ambos estávamos envolvidos, e dedicados em fazer dar certo, porque tínhamos encontrado nas nossas imperfeições, tudo aquilo que precisávamos.

 

Já se passaram nove anos desde que nos conhecemos. Em todos esses anos já vivemos muitas coisas, já passamos por muitas crises, mas esse amor leve, e verdadeiro nos manteve, por toda a verdade que existe entre nós, as coisas não precisam ser perfeitas, porque nos conhecemos, nos aceitamos, não nos idealizamos, sabemos que somos pessoas reais, cheias de defeitos, e amamos até eles. Aprendemos a nos amar perfeitamente, mesmo aquilo que não é perfeito. Confiamos um no outro, acreditamos que somos suficientes, e que o nosso relacionamento é tão completo, que não tem espaço para mais ninguém, não tem necessidade de mais ninguém, encontramos um no outro tudo aquilo que precisamos. E por toda essa segurança, nos permitimos ter cada um à sua vida, a partilhar delas. Temos nossos, amigos, nossos momentos, nosso espaço. Nos respeitamos. Não escondemos nada, ambos temos acesso aos celulares, ou qualquer outra coisa, livro aberto, mas sem pressão, sem exigências, fiscalizações.

 

Me considero uma pessoa de sorte pelo amor que tenho, pelo relacionamento que construí. Vejo tantas pessoas se destruindo, pelo ‘amor’, tantas pessoas que acreditam estar vivendo um relacionamento saudável, quando na verdade estão vivem uma farsa. Desconfiam uns dos outros, traem, mentem. O amor não pode ser pesado, tem que te fazer bem, te dar liberdade, e não te prender, permitir que sejamos aquilo que quisermos, vestirmos o que gostamos… O amor tem que ser leve, breve, tem que ser amor, e não dor…

 

Bom mulherada, fico por aqui, amem, mas se amem primeiro, e que esse amor te permita flutuar… Como no sábado é meu niver, e eu vou fazer 30, ai meu Deus! Na próxima semana vou escrever sobre isso, beijos e até quinta!

 

2 Comentários
  1. sibele 6 meses atrás

    muito lindo, parabéns!!!!

  2. Camila Freitas 5 meses atrás

    Dani, ótimo texto, concordo plenamente contigo.
    E sobre as loucura por “amor” quem nunca? haha!

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