No mês da consciência Negra  quero falar de forma diferente de discriminação, racismo e preconceito. As vivencias que tenho me levam a tratar de outro aspecto fundamental para todos nós Negras e Negras, a forma como encaramos e nos colocamos no mundo. Sim, porque mudar o externo depende de variáveis infinitas, mas mudar o interno depende exclusivamente de mim mesmo.

                Portanto, direciono essas breves linhas aqueles que nesta sociedade buscam seu lugar ao sol. Que tem raízes na escravidão e subjunção de seus antepassados e que precisam viver, trabalhar e ser feliz numa sociedade estruturalmente excludente. Aqui está o desafio da nossa era. Compreender quem sou, o que quero e como vou conquistar é fundamental. Abstrair a ideia de que a atitude o doutro não é fundamento para minha felicidade faz uma super diferença nas conquistas que tenho.

                Esse “click” para virar o disjuntor é importante para que tenhamos conquistas e possamos sair da condição social que nos colocaram. Não se iludam, ninguém terminou de “graça com a escravidão”, ninguém terminará de graça com a exclusão, discriminação e o preconceito.  Esse termino histórico da escravidão foi conquistado, arrancado a ferro e fogo da sociedade da época. E hora de fazermos a nossa parte.

                É hora de nos olharmos no espelho, reconhecermos nossa beleza, nossas capacidades intelectuais, laborais e sociais e conquistar o que queremos.  A cor da minha pele não me impede de buscar o que quero, a cara feia, o nariz torcido, o redondo “não tem vaga” jamais serão suficientes para baixar minha autoestima. Sei que não é tão fácil e simples, mas é essa atitude que vai fazer a diferença.

                O problema de não gostar da minha cor, não é meu, é do outro. O preconceito não está em mim, está no outro. A desconfiança nas minhas capacidades não está em mim, está no outro e se está no outro, o problema não é meu, é do outro e só posso dizer “ oh coitado” e seguir em frente.

                Nossa cultura inunda esse País de alegria e valor, nosso trabalho ajuda a sustentar a economia e faz girar a roda do desenvolvimento, nossos jovens merecem lugares mais adequados nessa pirâmide social, portanto está mais do que na hora de cada um de nós assumir uma postura proativa, empoderada e de si mesmo, levantar a cabeça e conquistar espaço social e profissional. Não estou dizendo que é fácil, se fosse estaria tudo resolvido, estou dizendo que PODEMOS, DEVEMOS, MERECEMOS. Chega de migalhas.

                Se digo tudo isso a queima roupa, também é importante dar as causas que fazem com que continuemos nessa condição excludente e tenhamos dificuldade de sair. Por tempo pensei numa pisque social escravocrata. Mas hoje, compreendo que estamos enredados em crenças limitantes impostas no período da escravidão que foram passando de geração a geração e hoje apresenta-se como um fio invisível que enreda e dificulta ainda mais a ascensão social. Como já disse, uma coisa é o que o outro acha, outra totalmente diferente é o QUE EU ACHO, e O QUE EU QUERO E O QUE EU POSSO.

                Valorizar nossas raízes,  trabalhar a autoestima e assumir uma postura independente, desbloquear e vencer as crenças limitantes são grandes desafios dos negros e negras do nosso tempo. Essas atitudes geram uma nossa postura individual e social com força descomunal de bloquear e frear a discriminação, racismo e preconceito.

Texto publicado do Diário de Santa Maria em 20/11/2018

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