Desde o início no blog de todas, tenho gostado muito de escrever sobre relacionamento, e são sempre meus texto com maior repercussão. Não sei se pôr as pessoas se identificarem, se inspirarem, mas são sempre muito bem vistos. E isso me faz acreditar que gostam dos meus textos, das minha vivencias. Nesses nove anos de relacionamento, acho que estamos nos saindo muito bem, começamos muito jovens, imaturos, passamos por muitas crises, mas também crescemos juntos, construímos um relacionamento solido, e hoje acho que nós nos amamos mais do que no início, e provavelmente muito menos do que daqui a dez, vinte, trinta… anos. Não me considero uma expert em relacionamentos, já aprendi muito, e sei que tenho muito o que aprender ainda, mas posso dizer que até aqui, sou vitoriosa na vida que tenho.

 

Nesse momento, se me permitem um adendo, imaginei minha avó lendo, sim ela lê meus textos! Imaginei ela lendo e pensando, coitadinha, sabe de nada inocente! Ela e meu avô completaram Bodas de Ouro no ano passado, são cinquenta anos de muito amor, dedicação mutua, e companheirismo, um exemplo para mim, minha base, do que acredito ser um relacionamento feliz, e espelhada neles procuro construir o meu. Em todas as vezes que tivemos uma briga, uma crise, me lembrei deles, de tudo que passaram, todas as dificuldades e sempre juntos encaram as coisas, e hoje juntos seguem lutando contra as adversidades. Tenho certeza de que não sei metade do que eles vivenciaram, das dificuldades que tiveram, das intimidades, das renuncias, mas sei que não foi fácil, imagino baseada no pouco que vivi, comparada a eles, e isso só me faz admirar cada vez mais.

 

Durante esses nove anos já passamos por muitas crises, escrevi um texto inteiro sobre isso. Apesar de algumas desgastarem o relacionamento, principalmente quando recorrentes, eu considero que as vezes quando uma crise vem é para servir de alerta, pontuar o que está errado, e propor um novo comportamento, enfim, melhorar as coisas. Das várias crises pelas quais passamos, uma em especial, me marcou muito, porque graças a ela eu vi que precisava mudar, e apesar de no início dela, eu ter atribuído toda culpa a ele, eu depois percebi, que quem precisava mudar era eu! Eu tinha que modificar meu comportamento, e modificar a minha forma de encarar o comportamento dele. E foi muito importante, nos fez crescer como casal, e melhorou muito as coisas entre nós.

 

É normal os homens terem seus grupos, seu futebol, seu churrasco com os amigos, beber aquela cerveja, todo mundo encara isso com naturalidade, mas para nós mulheres, pelo menos grande parte, isso não é tão comum assim, talvez por causa dos filhos, a rotina mais pesada, mas muitas de nós não temos os mesmos momentos de descontração, sem os maridos, assim como eles têm, talvez até por uma questão cultural. E eu não entedia a importância disso, na realidade eu queria privar ele desses momentos, ao invés de ter os meus, reclamava por ele sair, e não ficar comigo, e meu relacionamento virou um droga, eu reclamava que ele não estava comigo, quando ele chegava eu estava brava, com aquela cara de b…, era uma briga atrás da outra. Eu falava para as minhas amigas o quanto meu marido era ‘ruim’, me queixava das vezes que ele deixou de estar comigo, para estar com os amigos, do quanto me sentia preterida… Enfim, eu era certa, ele errado, pobrezinha de mim! Sendo que na verdade eu estava sendo uma verdadeira mala!

 

Foi nesse momento que alguém criou coragem, e discordou de mim, com muita cautela, e cuidado, me disse que na verdade era eu que estava errada, e não ele, que ele estava no direito dele, e que eu deveria fazer o mesmo ao invés de reclamar, precisava ter minhas amigas, minhas jantas, sair, viver, ter a minha vida independente do meu relacionamento. Que é importante dividir momentos, estar juntos, mas que é primordial essa autonomia, e que não tem nada de errado nisso. Num primeiro momento me soou muito estranho, mas aquilo ficou martelando na minha cabeça. No mesmo dia, meu marido desmarcou um cinema comigo, e eu resolvi agir, liguei para uma amiga e saímos para jantar. Ao invés de meu marido chegar em casa e me encontrar brava, pronta para um D.R. chata e interminável, ele encontrou a casa vazia, quando eu cheguei, leve e feliz, ele já estava na cama, fui me deitar junto dele, e ele me falou o quanto estava orgulhoso de mim.

 

Desde então nossa relação melhorou muito, é claro que ainda existem os desentendimentos, mas isso nunca mais foi problema, não saio toda hora, não vou para balada, tenho minhas jantas com amigas, eventos do blog, as minhas coisas, e ele tem as dele, esses momentos são preciosos, até mesmo para existir interação, quando se vive muito juntos, não se tem nem assunto, afinal de contas, o outro já sabe tudo o que aconteceu… Para sermos felizes em uma vida a dois, primeiro é necessário se ter uma vida! Eu tenho a minha, ele tem a dele… Os tempos são outros, os valores também, é claro que lá no tempo da minha avó, não era bem assim, as mulheres eram responsáveis única e exclusivamente pelo lar, mas hoje gozamos de certas liberdades, igualdades, que não podemos desperdiçar, os nossos dilemas são outros, mas as crises são as mesmas… E cabe a nós como casal escolher, resolver, ou desistir… E assim como a minha avó resolveu vários, eu escolhi resolver também, espero continuar conseguindo, e quem sabe eu consigo um dia ter o relacionamento que eles têm.

 

A vida a dois é uma arte, sendo bem repetitiva, mas é… É uma troca, uma doação diária, as vezes precisamos ceder, em outras exigir, tem que saber dosar, entender que tudo aquilo que eu fizer, eu estou permitindo o outro. Mas é magico, é lindo, eu adoro minha vida de casada, adoro a liberdade que tenho dentro de um relacionamento, de tudo o que a vida a dois pode me proporcionar. Precisamos aprender a confiar, a amar, acreditar! Depois de todo esse tempo, hoje acho até bonitinho quando meu marido demonstra ciúmes. Coisas que antes me incomodavam, aprendi a respeitar. Nós nos amamos, e isso não significa que precisamos ser grudados, fazendo uma citação: “A nossa liberdade é o que nos prende!” Jota Quest.

 

Bom mulherada, esse foi o recado de hoje, vamos marcar uma saída? Risos… Até a próxima quinta vou escrever um texto, é claro que sobre o dia das mães! Beijos e até a próxima semana.

 

3 Comentários
  1. Ellen Racki 5 meses atrás

    Baita texto Dani!
    Que mulher empoderada vc acabou se tornando.
    Relacionamento sadio é isso ai, os dois evoluem juntos.
    Não existe perfeição, e sim duas pessoas imperfeitas que decidem viver suas vidas em paralelo.
    O amor é lindo…
    E vamos marcar de sair e beber sim hehehe 😉
    Bjus :*

  2. Adorei Dani!! como sempre né hehehe
    É muito importante ter essa liberdade, pois ambas partes precisam. Lendo teu texto eu lembrei que várias vezes eu saía para cafés, chás, encontros na casa de amigas antigas que mantenho contato até hoje e meu marido nunca reclamou. E aí algumas vezes qdo ele foi fazer algo, pq eu não tinha nada pra fazer e iria ficar sozinha eu reclamava (que chatinha). Mas hoje assim como tu já enxerguei que esses momentos são necessários.
    Creio que o o marido e a mulher devem ser melhores amigos, mas também é essencial para mulher ter amigas de confiança pra dividir coisas e dilemas do seu dia a dia, que são diferentes dos homens, assim como eles precisam ter também essa interação com os amigos, com certeza isso ajuda e deixa até o relacionamento mais saudável!

    bjos

  3. Camila Freitas 5 meses atrás

    Dani amei!
    Com certeza é muito importante ter um momento só nosso.
    Parabéns, grande texto!

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