‘Amor, me leva?’

 

‘Alguém tem carona?’

 

‘Não tenho como ir’

 

‘Amor, me busca?’

 

‘Tudo bem, eu chamo um uber…’

 

‘Não posso, meu marido esta viajando…’

 

Enfim, essa foi minha vida até muito pouco tempo. Eu era totalmente dependente do marido e dos outros, não conseguia nem ir ao mercado sozinha! Detalhe, tendo carteira de motorista a oito anos! Cheguei ao ponto de passar do lado do carro, deixar ele na vaga e ir pegar um ônibus, sim! Tinha verdadeiro pânico de dirigir… Era sentar no banco do motorista que perdia totalmente o controle das minhas pernas, tremia tudo, suava frio, coração que disparava, insegurança, medo. Quando eu sabia que iria precisar dirigir, começava a sofrer muito antes, dias antes! Ficava imaginando o percurso, e sofrendo… Durante anos nem cogitava a possibilidade de pegar o carro, a muito pouco tempo, comecei a me arriscar, em uma saída ou outra, mas sempre era um transtorno…

 

Todo mundo sabe que o preço da gasolina esta pela hora da morte, e além de meu marido muitas vezes ter de ficar a minha disposição, carregando para cima e para baixo, o consumo era o dobro, afinal de contas, ele me levava, voltava para casa, depois tinha que ir me buscar, e haja grana para bancar isso! Deixei de participar de muita coisa pelo medo de dirigir, perdi muitos eventos, deixei de ir à academia, não fui no centro espírita… Muita coisa! Ao mesmo tempo que morria de vergonha da situação, e não queria pedir carona… Me arrisquei andando a pé em certo locais e horários, em paradas de ônibus, e o carro na vaga! Tinha dias que dava raiva, frustração, e impotência. Dependência total! Eu sempre me preocupo com o todo, em me colocar no lugar do próximo, e como eu sempre travava na direção, uma das minhas maiores preocupações era obstruir o transito, e atrapalhar os outros! Deixar o carro apagar, era um pavor, de tanto medo de acontecer, acabava que eu apagava, e diz que eu saía do lugar… Quando isso acontecia, eu suava frio, tinha vontade de chorar, e pedir para o primeiro que passasse ‘por favor, me tira daqui, me leva para casa!’… Se alguém buzinasse atrás então, já era!

 

Esse ano, eu passei por várias mudanças intimas, que aconteceram por diversos fatores, e que me fizeram muito bem, influenciando em tudo na minha vida, decidi viver uma vida mais leve, e despreocupada, e tenha certeza que essa nova fase, propiciou com que eu ultrapasse mais esse obstáculo que eu tinha na minha vida. Nós sempre tivemos carro de câmbio manual, com embreagem, que era a minha verdadeira inimiga! Mas como eu já estava nessa nova fase, empoderada, eu me arriscava, ia aqui e ali, percursos pré estipulados, vias de pouco movimento, em dias mais tranquilos, só que ainda dependia, não era capaz de fazer compras sem o marido ir junto. Na verdade dirigia só quando ele realmente não podia, ou queria, quando não tinha outra opção mesmo. Só que ele estava cansado, as vezes deixava de fazer alguma coisa, para me carregar, não podia assistir um jogo, tinha que ficar de motorista literalmente. Muitas vezes ele, usando uma analogia, me jogou da beira do precipício para ver se eu voava, me colocava na obrigação, mas mesmo assim, no dia a dia, no vai ou racha, era ele para cima e para baixo…

 

A menos de um mês o meu marido deixou claro que tinha chego no limite, que não aguentava mais, e eu liguei o alerta, de que já tinha protelado de mais. Nosso carro estragou, e como já vinha dando problemas a um tempo, resolvemos trocar, na verdade ele quem decidiu! Pegamos um carro automático, e ele deixou claro, ‘Não te carrego mais’, ‘Te vira’! E eu já estava cansada da situação também, liguei um f… e saí. Não me preocupei se ia atrapalhar os outros, até mesmo porque os outros não tem esse pudor… Dai vai ter quem diga, ‘a mas de automático…’ Siiim, automático, resolveu meu problema, perfeito! Nunca me senti tão bem, tão independente… Realmente, o carro anda sozinho, não preciso nem pensar, mas estou andando, saindo, sozinha! Me viro, vou no mercado, para o trabalho, nas amigas, e o marido fazendo o que ele quer, na hora que ele quer. Vocês não fazem ideia, do quão feliz, do quão realizada eu me senti no dia que larguei o carro no estacionamento de um mercado, entrei, fiz minhas compras, coloquei tudo no porta malas, e fui para casa, coisa simples? Bobagem? Pois é, mas não me sentia capaz… Como falei, me senti tão gente grande… Nós estamos tão acostumados com certas coisas, levamos a vida tão no automático, que não vemos que a satisfação pode estar até nos menores detalhes, e que aquilo que para mim pode ser corriqueiro, pode fazer a diferença na vida de alguém… O medo de dirigir, foi só mais um dos fantasmas que espantei, foi mais uma conquista, e agora ninguém me segura, voando minhas tranças por ai, de auto! Kkkkk… Vou conquistar muito mais…

 

Já espantou algum fantasma hoje?

 

Bom pessoal, fico por aqui, voando minhas tranças… Volto na próxima semana com um texto sobre a cura pelo amor, mas o amor fraternal, aquele que Deus espera que a gente sinta uns pelos outros… Beijos e até quinta! 

2 Comentários
  1. Ellen Racki 2 meses atrás

    Que legal Dani!
    Parabéns por mais essa amarra que conseguis-te te desvencilhar.
    Eu ainda não dirijo, morro de medo de tirar CNH , uma hora vou ter que passar por essa operação “caça-fantasma” também hehehe.
    Beijos

  2. Camila Freitas 1 mês atrás

    Dani, adorei ler teu texto, tô tirando a CNH e confesso que estava protelando exatamente por causa do medo. Tu me deu coragem pra marcar mais aulas.
    Beijos!

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

FALE CONOSCO

Nos envie seu um e-mail e nós retornaremos para você, o mais rápido possível.

Enviando

©2018 BLOG DE TODAS desenvolvido com muito amor.

Fazer login com suas credenciais

ou    

Esqueceu sua senha?

Create Account