Falar sobre racismo continua sendo um assunto difícil e não é por falta de história, fatos e argumentos, mas porque sua dor ainda é sentida nos dias de hoje. No Brasil o índice aponta que 71% dos assassinatos são de pessoas negras. E enquanto a taxa de homicídios de brancos diminuiu 12%, a de negros aumentou 18%, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ronaldo Barros, secretário especial de políticas de promoção da igualdade racial da Presidência, declarou que o número de mortes de jovens negros no Brasil é maior do que em regiões em guerra. “Segundo o site das Nações Unidas no Brasil (ONU) um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no país. Ou seja, são 63 mortes por dia, que totalizam 23 mil vidas negras perdidas pela violência. Segundo Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil e coordenadora do Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia da ONU Brasil, em entrevista ao programa Artigo 5º, da TV Justiça, “ o racismo se manifesta tanto nas relações pessoais quanto institucionais e termina na violência extrema que é o assassinato três vezes maior de jovens negros”.

O problema do racismo e da exclusão social no Brasil é sério e tem se agravado. Fora do país a rede de cafeterias Starbucks fechou 8.000 lojas no Estados Unidos no dia 29 de maio deste ano, por 4 horas para palestrar sobre racismo, com foco em evitar atitudes enviesadas contra os clientes.

Descobrimos que o racismo ainda está impregnado em nossa sociedade quando usamos palavras como o verbo “denegrir” que significa “manchar uma reputação que era limpa”. Ou seja, o preto suja? Termos como “Ovelha Negra”, “Lado Negro”, “Você é uma negra de alma branca”, entre outras palavras que “parecem ingênuas ao nosso ouvir”. O racismo precisa ser desmascarado, e precisa começar pelas nossas casas, na educação de nossos filhos. Precisamos ensinar a nossas filhas negra e brancas que o cabelo afro é lindo e não precisa ser alisado para agradar a ninguém.

O racismo precisa ser confrontado. Após ver minha mãe chateada pelo fato de uma mulher me perguntar três vezes se eu realmente era filha da minha mãe (pelo fato de eu ser branca e minha mãe negra), precisei me posicionar e dizer “sim, esta é minha mãe! Mas porque a pergunta se você também é negra e a sua filha é branca e de cabelos loiros?”. O racismo é sorrateiro, ele vem através de comparações, piadas e brincadeiras de mau gosto. Somos seres humanos, com histórias diferentes, pensamentos diferentes, e ser diferente não é errado.

Dica de filme: 12 anos de escravidão (12 Years a Slave).

Mariana Tabarelli

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